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Hábitos saudáveis poderiam evitar 27% dos casos de câncer no Brasil

Conclusão é de pesquisa feita na USP e em Harvard que avaliou o impacto de cinco fatores de risco – sedentarismo, má alimentação, sobrepeso, tabagismo e consumo de álcool – sobre a incidência da doença (imagem: Daniel Antonio / Agência FAPESP)


Tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física são os fatores de risco associados a um terço das mortes causadas por 20 tipos de câncer no Brasil, segundo um novo estudo.

Publicado na revista Cancer Epidemiology, o trabalho indica que, do total dos casos de câncer anuais no Brasil, pelo menos 114 mil (27% do total) poderiam ser evitados com um estilo de vida mais saudável. Quanto às mortes causadas pela doença, 63 mil vidas (34% do total) poderiam ser poupadas.

Os dados são resultado de um estudo epidemiológico realizado por pesquisadores do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) e da Harvard University, nos Estados Unidos, com apoio da FAPESP.

Segundo o estudo, as incidências de câncer de pulmão, de laringe, de orofaringe, de esôfago, de cólon e de reto poderiam ser reduzidas pela metade caso os cinco fatores de risco – tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação não saudável e falta de atividade física – fossem eliminados.

"Uma questão que chama a atenção nesses resultados é a proporção de casos que poderia ser evitada ao reduzir os fatores de risco relacionados ao estilo de vida. De acordo com diversos trabalhos anteriores nessa área, não há nenhuma outra medida capaz de prevenir tantos casos. O estudo deve servir de base para a formulação de políticas públicas para a prevenção de câncer no Brasil", disse Leandro Rezende, pesquisador da FM-USP e um dos autores do estudo.

O câncer é uma doença multifatorial e está entre as principais causas de morte no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a expectativa é que, em 2025, os casos aumentem em até 50% no país, principalmente pelo crescimento e pelo envelhecimento da população.

Porém, de acordo com o novo estudo, além das mudanças na estrutura populacional, o aumento na prevalência dos cinco fatores de risco relacionados ao estilo de vida do brasileiro pode representar desafios adicionais para o controle do câncer no país.

"A prevenção primária do câncer por meio de modificações no estilo de vida é uma das abordagens mais interessantes e realistas para o controle da doença no Brasil", disse Rezende.

Segundo José Eluf Neto, professor titular da FM-USP e orientador do estudo, garantir o acesso a parques e outros locais de lazer são medidas que deveriam ser consideradas em termos de políticas públicas para a saúde.

"Incentivar a prática de atividade física, a alimentação saudável e ter locais de lazer em todas as áreas da cidade – perto da casa das pessoas – são medidas de prevenção primária que não devem ser desprezadas pelos gestores públicos. Pelo contrário, além de ter um impacto grande na redução de mortes, esse incentivo a uma vida mais saudável reduz consideravelmente o número de casos da doença", disse Eluf Neto à Agência FAPESP

Há um consenso na literatura científica de que os cinco fatores de risco em questão estão associados ao desenvolvimento de 20 tipos de câncer. O novo estudo calculou a fração atribuível populacional (FAP) do câncer – uma métrica capaz de estimar a proporção de casos possível de prevenir se os fatores de risco fossem eliminados – e relacionou esse dado com estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre índice de massa corporal (IMC) elevado, consumo de cigarro, álcool, prática de atividade física e informações sobre a alimentação.

Na pesquisa, o fator alimentação não saudável foi subdividido em seis: baixo consumo de frutas, verduras, fibras e cálcio e consumo elevado de carne vermelha e de carne processada.

Os dados sobre a distribuição dos fatores de risco foram calculados a partir da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, que permitiu estimar consumo de álcool, IMC, consumo de frutas e hortaliças, atividade física, tabagismo e fumo passivo entre não fumantes no Brasil.

Já a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada em 2008-2009 pelo IBGE, foi usada para obter o consumo alimentar de fibras, cálcio, carne vermelha e processada. A distribuição dos fatores de risco do estilo de vida foi estimada por sexo e grupos etários.

Os pesquisadores consideraram dois cenários de exposição: um com risco mínimo teórico (eliminação total dos riscos relacionados ao estilo de vida) e outro com base em metas de políticas públicas e recomendações para a prevenção do câncer (atenuação da prevalência dos fatores de risco).

Nesse cenário de restrição dos fatores de risco, o consumo de álcool teria uma redução relativa de 10%, para menos de 50 gramas por dia. Também fazem parte desse cenário uma redução no IMC de 1 quilo por metro ao quadrado (kg/m2) na média da população, uma dieta com 200 a 399 miligramas (mg) de cálcio por dia e a redução de 30% na prevalência do consumo de tabaco.

"Estimamos também o impacto de reduções (e não só a eliminação por completo) desses hábitos não saudáveis, o que é muito interessante para a saúde pública. Com o incentivo a hábitos mais saudáveis, segundo recomendações de prevenção do câncer, já seria possível evitar um número importante de mortes e casos da doença", disse Rezende.

Pelos cálculos do cenário que apenas atenua os riscos, 4,5% dos casos (19.731 casos) e 6,1% das mortes (11.480 mortes) poderiam ser evitados.

Homens e mulheres

Os pesquisadores também identificaram os principais fatores de risco no estilo de vida, individualmente e em combinação, por sexo e tipo de câncer no Brasil.

Pela análise, o tabagismo, responsável por 67 mil casos e 40 mil mortes ao ano no Brasil, respondeu pela maioria dos desfechos negativos que poderiam ser prevenidos, seguido por excesso de peso (21 mil casos e 13 mil mortes) – fortemente ligado à alimentação não saudável e à falta de atividade física – e pelo consumo de álcool (16 mil casos e 9 mil mortes).

"Avançamos muito nos últimos 10 anos com várias leis e ações que conseguiram reduzir em mais da metade a prevalência do tabagismo. No entanto, ele continua sendo a principal causa de câncer. Isso reforça a necessidade de campanhas, taxas e restrição de marketing. Também precisamos tomar conta de questões novas, como, por exemplo, o cigarro eletrônico. Ainda não sabemos seu impacto na saúde, apenas que serve como porta de entrada para o vício, sobretudo para jovens e adolescentes", disse Rezende.

Na análise por sexo, homens e mulheres foram afetados de forma diferente. Em homens, o tabagismo (20,8%) impactou mais do que a soma dos fatores excesso de peso, falta de atividade física, consumo de álcool e alimentação inadequada (14,2%). Já nas mulheres, a soma desses quatro últimos fatores impactou mais casos da doença (15,2%) do que o tabagismo (10,1%) isolado.

"Pela distribuição dos cinco fatores de risco nessas duas populações, tabagismo é disparado o principal fator de risco para câncer. Essa diferença entre homens e mulheres ocorre porque a prevalência de tabagismo ainda é mais alta entre os homens no Brasil. Mas não é só isso, as mulheres são mais impactadas por outros fatores. Elas praticam menos atividade física e apresentam um índice de massa corporal maior que o dos homens", disse Rezende à Agência FAPESP.

O artigo Proportion of cancer cases and deaths attributable to lifestyle risk factors in Brazil (doi: 10.1016/j.canep.2019.01.021), de Leandro Fórnias Machado de Rezende, Dong Hoon Lee, Maria Laura da Costa Louzada, Mingyang Song, Edward Giovannucci e José Eluf-Neto, pode ser lido na Cancer Epidemiology em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1877782118305253?dgcid=author#bib0010.
 

Por: Maria Fernanda Ziegler  /  Agência FAPESP

Exposição de obras sonoras explora interface entre arte e ciência.

A interface entre arte e ciência – que já foi tema de muita reflexão e embasou produtos teóricos e práticos – apresenta-se mais uma vez no ambiente universitário por meio da ocupação Sons de Silício, uma exposição de arte sonora que pode ser visitada no Espaço das Artes, na Universidade de São Paulo (USP), até 26 de abril.

Com 20 obras de diferentes autores, oficinas e performances, a exposição busca mostrar trabalhos artísticos em que o som desempenha papel predominante e que, de alguma maneira, remetem a questões ligadas a conceitos da ciência e ao uso de tecnologias.

"Um aspecto importante de alguns trabalhos apresentados é a ideia de sonificação, isto é, a transposição de dados em estruturas sonoras. No domínio auditivo, a sonificação é análoga à visualização, no domínio visual. Assim como é possível representar dados por meio de estruturas visuais, como gráficos, por exemplo, também é possível representar dados por meio de estruturas sonoras. Vários dos trabalhos apresentados lidam, de alguma maneira, com esse processo", disse Fernando Henrique de Oliveira Iazzetta, professor titular do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e professor responsável por Sons do Silício.

A ideia da exposição nasceu de uma obra específica, chamada Buzu, que transformou em estruturas sonoras as trajetórias de todos os ônibus que atendem a cidade de São Paulo.

"O Buzu foi desenvolvido pelo Núcleo de Pesquisas em Sonologia (NuSom), da ECA-USP, como parte de sua colaboração com o Projeto InterSCity, hospedado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Internet do Futuro para Cidades Inteligentes", disse Iazzetta.

"Essa obra foi o estopim para a ocupação Sons de Silício. A partir da necessidade de expor o trabalho para o público, decidimos organizar uma exposição mais ampla de obras correlatas. Fizemos, então, uma chamada aberta para que outros artistas com trabalhos baseados em sonificação e arte sonora se juntassem a nós. Temos na exposição 20 obras, além de oficinas e performances, todas elas envolvendo essa relação entre ciência, tecnologia e arte, com base no som", disse.

Julian Jaramillo Arango – doutor em Sonologia, sob orientação de Iazzetta e com bolsa da FAPESP – é o curador da ocupação Sons de Silício e um dos autores do Buzu. Ele explicou como a obra foi idealizada e executada.

"O Buzu transformou dados do sistema de ônibus da cidade de São Paulo em estruturas sonoras. É um gerador de melodias que interpretou uma base de dados produzida pelo grupo InterSCity durante uma semana de outubro de 2017. Essas melodias, que traduzem em estruturas sonoras as trajetórias dos ônibus que trafegam por toda a cidade, expressam o comportamento normal do sistema. Elas permitem escutar como o sistema funciona em termos de trajetórias das linhas, de densidades de ônibus em cada linha ou de velocidade de deslocamento em cada região", disse.

"Transformando esses dados em estruturas sonoras, conseguimos escutar a cidade de forma diferente. Um dos objetivos é levar ao público o conhecimento que está sendo desenvolvido em pesquisas na universidade, de forma que pessoas que não têm familiaridade com a ciência possam acessar essas bases de dados geradas a partir de procedimentos científicos. A obra Buzu coloca-se no campo da arte-ciência, um campo híbrido no qual artistas e cientistas se dão as mãos para criar produtos capazes de promover, na população, noções científicas estruturantes do mundo contemporâneo", disse Jaramillo.

Outra obra que se destaca na exposição é Sonhofonias, que busca traduzir em sons conteúdos do inconsciente humano. "Isso é feito mixando a sonificação do eletroencefalograma de uma noite de sono com gravações de leituras de relatos dos sonhos fundamentais do psiquiatra e psicólogo suíço Carl Gustav Jung [1875-1961], descritos em seu O Livro Vermelho", disse Pedro Paulo Kohler Bondesan dos Santos, doutor em Musicologia pela USP e um dos autores de Sonhofonias.

O Livro Vermelho, também conhecido como Liber Novus (Livro Novo), é um manuscrito, registrado em caligrafia meticulosa e ricamente ilustrado, que Jung produziu ao longo de uma década e meia, entre 1915 e 1930. Nessa obra, concebida e realizada à maneira dos manuscritos medievais, Jung relatou e comentou os sonhos e experiências imaginativas ocorridos no período crucial de sua trajetória, entre 1913 e 1916. Embora seja considerado o trabalho central e o próprio fundamento da psicologia junguiana, O Livro Vermelho só foi publicado e tornado acessível em 2009.

"A ideia dessa instalação é o espectador se deitar em um divã e ouvir, por meio de duas caixas acústicas, os sons alternados da polissonografia e de trechos de O Livro Vermelho, combinados aleatoriamente", disse Santos.

Assista ao vídeo em https://youtu.be/ZeaVwzJ2bf0

Por José Tadeu Arantes  /  Agência FAPESP