Informamos a todos, que as postagens inseridas neste blog, são de autoria de seus respectivos produtores, e,
cabe a cada um deles a responsabilidade pela autoria dos itens, bem como o teor de seu conteúdo.

Como veículo de divulgação de informação, temos a responsabilidade de divulgar os itens,
tal qual o que é remetido à nossa assessoria de imprensa.


WhatsApp 11 972914716

Qualquer contato conosco deverá ser efetuado através do "Formulário de Contato", disponível no final desta página (rodapé).

Plataforma registra mais de 720 ocupações irregulares na capital paulista




Uma das maiores ocupações da capital, a Água Espraiada possui dezenas de favelas e passa por diferentes distritos, como Itaim Bibi, na zona oeste, Campo Belo e Jabaquara, na zona sul. Segundo Karina Leitão, professora da FAU USP, e uma das coordenadoras do Observatório de Remoções, as ocupações da Água Espraiada estão em uma área de 9 km de extensão. Além disso, calcula-se que haja na região, 8.500 famílias sob ameaça de remoção.

Os interesses para desocupar a área também são diversos, como a construção de um parque linear e a construção da linha 17-Ouro, do Metrô. Os conflitos ocorrem desde o começo da década de 90 e algumas favelas já sofreram com incêndios.

A ocupação Água Espraiada foi mostrada no último sábado (4), durante a apresentação do Observatório de Remoções, projeto desenvolvido pela FAU USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) e pela Universidade Federal do ABC. Nessa plataforma, um mapa participativo mostra 720 ocupações irregulares na cidade de São Paulo, identificando os casos de ameaças e remoções, reintegrações de posse e despejos. Casos da Grande São Paulo também são apontados. A apresentação foi acompanhada por discussões sobre o direito à moradia e ilustrada pelas ocupações acompanhadas pelos pesquisadores do Observatório desde 2015.

Outro caso apresentado foi o da ocupação Douglas Rodrigues, na Vila Maria, zona norte. Ela nasceu em 2013, já passou por incêndios e vive sob ameaça de reintegração de posse. A área é particular, mas estava abandonada, argumentam os moradores e o Observatório.

De acordo com Raquel Rolnik, professora da FAU USP e coordenadora do Observatório, a função do mapa participativo não é apenas registrar uma ocupação. "Isso é importante, mas o que mais interessa é entender o que está acontecendo e quem está envolvido", diz.

Uma das questões destacada no evento foi o motivo do crescimento das ocupações. "O problema de renda é o principal fator de chegada na ocupação", afirma Carolina Sacconi, arquiteta, urbanista e pesquisadora do Observatório. "Muita gente vai para o movimento porque não pode pagar o aluguel. Se pagar, não tem como se alimentar", ressalta Luciana Bedeschi, advogada e pesquisadora.

A história da auxiliar de limpeza Cíntia Lúcia Castilho, 43, ilustra as falas das pesquisadoras. Há quatro anos, ela se mudou com o marido e os filhos para a ocupação Aristocrata, no distrito do Grajaú, zona sul, pois não tinha condições de pagar o aluguel que custava R$ 400. "Achei ótimo. Quando chegar em casa, já vou entrar", diz Cíntia ao ser questionada sobre o mapa.

Ao acessar a plataforma, é possível conhecer mais das histórias de outras ocupações, ver o status delas – se houve remoção, se está sob ameaça, quantas famílias vivem no espaço – e por qual motivo há interesse de retirar os moradores do local. Os dados são abertos e qualquer pessoa pode baixar um arquivo com todas as informações.

O 32xSP verificou que até o dia 6 de março havia 885 registros, sendo 720 somente da capital paulista. Desse número, 82,2% indicam ameaça de remoção, 10,3% são locais que já sofreram remoções, 7,1% tiveram remoção parcial e 0,4% está com status "mediar". O principal motivo para as remoções é a urbanização de favelas. A plataforma já está ativa desde o segundo semestre de 2016.

Avaliação sobre habitação em São Paulo

De acordo com o Irbem 2017 (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município de São Paulo), pesquisa realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope, a área de habitação apresenta uma avaliação baixa. No quesito políticas de reurbanização das favelas, a média é de 2,8. Já para oferta de planos habitacionais para todas as faixas salariais, a média não passa de 3.

 

Foto: Agência Brasil Fotografias

por Priscila Pacheco