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Pequenas empresas e autônomos respondem por maior parte dos empregos no mundo


O autoemprego e as micro e pequenas empresas desempenham um papel muito mais importante na geração de empregos do que se pensava, de acordo com novas estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


O relatório recomenda que o apoio a pequenas unidades econômicas seja uma parte central das estratégias de desenvolvimento econômico e social. Ele destaca a importância de criar um ambiente propício para esse tipo de empresa, garantindo que elas tenham uma representação eficaz e que os modelos de diálogo social também funcionem para elas.

Outras recomendações incluem: entender como a produtividade da empresa é moldada por um "ecossistema" mais amplo; facilitar o acesso às finanças e aos mercados; promover o empreendedorismo das mulheres; e incentivar a transição para a economia formal e a sustentabilidade ambiental.
As micro e pequenas empresas (MPEs) são os principais geradores de emprego na América Latina. Foto: PNUD/Kenia Ribeiro

As microempresas são definidas como tendo até nove funcionários, enquanto as pequenas empresas têm até 49 funcionários. Foto: PNUD/Kenia Ribeiro

O autoemprego e as micro e pequenas empresas desempenham um papel muito mais importante na geração de empregos do que se pensava, de acordo com novas estimativas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgadas nesta quinta-feira (10).

Dados coletados em 99 países revelam que, juntas, as chamadas "pequenas unidades econômicas" representam 70% do emprego total, sendo, portanto, as que mais geram emprego. A informação consta no novo relatório da OIT intitulado em inglês "Small matters: Global evidence on the contribution to employment by the self-employed, micro-enterprises and SMEs".

Essas conclusões têm repercussões "altamente importantes" para as políticas e os programas voltados para criação de emprego, qualidade do emprego, novas empresas (start-ups), produtividade das empresas e formalização do emprego que, segundo o relatório, precisam se concentrar mais nessas pequenas unidades econômicas.

O estudo também constatou que uma média de 62% dos empregos nesses 99 países está no setor informal, onde as condições de trabalho, em geral, tendem a ser inferiores (falta de seguridade social, salários mais baixos, falta de segurança e saúde ocupacional e relações trabalhistas mais fracas). O nível de informalidade varia muito, de mais de 90% no Benin, na Costa do Marfim e em Madagascar até menos de 5% em Áustria, Bélgica, Brunei e Suíça.

O relatório destaca ainda que, nos países de alta renda, 58% do total de empregos correspondem a pequenas unidades econômicas, enquanto nos países de baixa renda e de média renda a proporção é consideravelmente maior. Nos países com os níveis mais baixos de renda, a proporção de empregos em pequenas unidades econômicas é de quase 100%, de acordo o relatório.

As estimativas baseiam-se em pesquisas nacionais sobre domicílios e população ativa reunidas em todas as regiões, exceto na América do Norte, em vez de usar a fonte mais tradicional de pesquisas que tendem a ter escopo mais limitado.

"Até onde sabemos, esta é a primeira vez que a contribuição para o emprego das chamadas pequenas unidades econômicas de emprego é estimada, em termos comparativos, para um grupo tão grande de países, em particular, países de baixa renda e média renda", disse Dragan Radic, chefe da Unidade de Pequenas e Médias Empresas (PME) da OIT.

O relatório recomenda que o apoio a pequenas unidades econômicas seja uma parte central das estratégias de desenvolvimento econômico e social. Ele destaca a importância de criar um ambiente propício para esse tipo de empresa, garantindo que elas tenham uma representação eficaz e que os modelos de diálogo social também funcionem para elas.

Outras recomendações incluem: entender como a produtividade da empresa é moldada por um "ecossistema" mais amplo; facilitar o acesso às finanças e aos mercados; promover o empreendedorismo das mulheres; e incentivar a transição para a economia formal e a sustentabilidade ambiental.

As microempresas são definidas como tendo até nove funcionários, enquanto as pequenas empresas têm até 49 funcionários.


OIT - Organização Internacional do Trabalho

Diálogo universal sobre o futuro do mundo marcará 75 anos da ONU em 2020

Foto: José Manuel Infante / Unsplash

Diálogo universal sobre o futuro do mundo marcará 75 anos da ONU em 2020

O Dia da ONU – 24 de outubro – foi marcado com o anúncio do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, de que a comemoração dos 75 anos das Nações Unidas terá um grande e inclusivo diálogo sobre o papel da cooperação global na construção do futuro que queremos.

Com início em janeiro de 2020, as Nações Unidas promoverão diálogos ao redor do mundo e através de todas as fronteiras, setores e gerações. O objetivo é alcançar o público global, ouvir suas esperanças e medos e aprender com suas experiências.


As Nações Unidas foram fundadas em 1945 para apoiar ação coletiva em prol da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos para todos. A iniciativa ONU75 busca provocar o diálogo e a ação em como podemos construir um mundo melhor, apesar de todos os desafios que enfrentamos.

Ao mesmo tempo em que a iniciativa ONU75 busca promover discussões em todos os segmentos da sociedade – desde salas de aula até salas de reuniões, dos parlamentos até as prefeituras –, ela colocará ênfase na juventude e nas vozes frequentemente marginalizadas ou não escutadas em assuntos globais.

Em vídeo divulgado hoje (24), o secretário-geral apelou para que todas as pessoas, de todos os lugares, somem suas vozes a esta campanha: "Precisamos de suas opiniões, suas estratégias, suas ideias; para que sejamos capazes de entregar melhor para as pessoas do mundo a quem devemos servir".

Através dos diálogos, a campanha ONU75 tem por objetivo construir uma visão global para o ano de 2045, centenário da ONU; aumentar a compreensão das ameaças para este futuro; e conduzir ação coletiva para alcançar esta visão. Pesquisas de opinião global e análises de mídia serão conduzidas em paralelo para fornecer dados estatísticos representativos.

As ideias e pontos de vista que forem produzidos serão apresentados aos líderes mundiais e altos funcionários da ONU durante um evento de alto nível na 75ª Sessão da Assembleia Geral em setembro de 2020, e disseminadas online e através de parceiros, de forma contínua.

Não há limite ou requisitos para quem quiser participar dos diálogos, fisicamente ou online. Informações estão disponíveis no site www.un.org/UN75

Assista ao vídeo do secretário-geral da ONU, António Guterres: https://vimeo.com/368097023



5 músicas para conhecer a obra de Walter Franco.

FOTO: DIVULGAÇÃO APESAR DA RECONHECIDA GENIALIDADE, O MÚSICO NÃO ALCANÇOU SUCESSO DE PÚBLICO


Músico paulistano morreu aos 74 anos.

Influenciado pela poesia concreta, gravou "Revolver", considerado um clássico da música brasileira

   Considerado uma das mentes mais ousadas da música brasileira, o cantor e compositor Walter Franco morreu aos 74 anos na madrugada de 24 de outubro. Vítima de um AVC (acidente vascular cerebral) irreversível há duas semanas, ele passava por tratamento paliativo. "Ele se foi tranquilamente", relatou o filho Diogo ao UOL. Franco foi responsável por pelo menos dois álbuns considerados clássicos da história musical do país.

Seu primeiro, "Eu Não", de 1973, apostou em uma linguagem musical fortemente influenciada pela poesia concreta. Em 1975, lançou sua obra maior, "Revolver", um álbum que conseguiu equilibrar suas ideias mais arrojadas e uma sonoridade pop e rock, bastante influenciada pelos Beatles. Um aspecto essencial de sua obra foi o uso criativo de sílabas e palavras para construir letras caracterizadas por repetições ou ligeiras variações verbais. O efeito era hipnótico e fiel a uma lógica em que sonoridade era tão importante quanto significado. "Eternamente É ter na mente Éter na mente E, ternamente Eternamente" Walter Franco Letra de "Eternamente", do álbum "Revolver" "Sempre fui muito estimulado pela poesia, pela literatura", declarou o músico no programa Som do Vinil, em 2013.

O pai, o poeta Cid Franco, foi influência decisiva para sua formação como artista, segundo afirmava. Também dizia ter entre suas maiores referências os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, expoentes da poesia concreta paulistana nas décadas de 1950 e 60. "Ele traduziu esse sentimento das coisas quadradas de São Paulo, essa aspereza que a cidade tem que a poesia concreta ajuda a explicar um pouco", lembrou Pena Schmidt, produtor musical que trabalhou com Franco em "Revolver", em 2013. "O Walter é muito paulistano nessa coisa de ser um poeta concreto dentro do rock'n'roll".

Obras suas foram regravadas por artistas como Chico Buarque, Ira!, Leila Pinheiro, Camisa de Vênus, Pato Fu e Titãs.

Apesar da reconhecida genialidade, o músico não alcançou sucesso de público. Colocado na gaveta dos compositores "malditos", uma denominação conferida a artistas mais experimentais e que incluía nomes como Jards Macalé e Tom Zé, Franco lançaria mais quatro álbuns: "Respire Fundo" (1978), "Vela Aberta" (1979), Walter Franco (1982) e Tutano (2001). Obras suas foram regravadas por artistas como Chico Buarque, Ira!, Leila Pinheiro, Camisa de Vênus, Pato Fu e Titãs.

A música "Feito Gente", de "Revolver", fez parte da trilha sonora da série "Os Dias Eram Assim", da Rede Globo, que tem como pano de fundo a ditadura militar. Em 2018, começou a trabalhar em um álbum inédito.

Com produção do filho Diogo, "LISTEN - Resiliência e Resistência" contaria com diversas faixas autorais inéditas do músico. Ditadura e censura Presença frequente nos festivais universitários que aconteciam entre as décadas de 1960 e 1970, Walter acabou na mira da ditadura militar. Levado para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), não chegou a ser torturado, mas, segundo contou, sofreu violência psicológica. "Não sabia bem por quê, talvez por causa da minha língua comprida", afirmou. Segundo Franco, seu pai teria sofrido um "espasmo cerebral" ao saber da prisão do filho. Vereador de tendência socialista, seu pai havia sido cassado depois do golpe de 1964. Conforme relatou em entrevista, sua família chegou a sofrer ameaças.

No Festival Internacional da Canção, em 1972, sua música "Cabeça" foi uma das duas ganhadoras do prêmio do júri presidido por Nara Leão. No entanto, o júri acabou desfeito depois que a cantora criticou a situação política do país. A nova banca, composta apenas de jurados estrangeiros, trocou os vencedores, colocando no lugar "Fio Maravilha", de Jorge Ben, na interpretação de Maria Alcina, e "Diálogo", de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, cantada por Cláudia Regina e Baden.


Uma seleção de músicas de Walter Franco:

https://youtu.be/ETimzY-nUp0

https://youtu.be/Pb24hfitiOQ

https://youtu.be/sZ8yqsFwBTs

https://youtu.be/ClqaR1RKdNI

https://youtu.be/0dA1G5YMt3Q


Saiu no nexojornal

Por: Camilo Rocha

USP, Unicamp e Unesp fixam novas métricas de desempenho acadêmico e comparações internacionais



As três universidades estaduais paulistas se uniram para desenvolver novas métricas de avaliação de desempenho e comparações internacionais. A ideia é criar um sistema digital de uso comum, mantido pelos escritórios responsáveis pela gestão de indicadores das três universidades. O sistema poderá avaliar com maior precisão não só o desempenho, mas também impacto socioeconômico, cultural e ambiental das universidades públicas.

A cooperação entre Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) tem o objetivo de tornar as métricas de desempenho interoperáveis, com auditoria prévia dos indicadores enviados para comparações internacionais.

A iniciativa tem apoio da FAPESP, no âmbito do projeto "Indicadores de desempenho nas universidades estaduais paulistas", vinculado ao Programa de Pesquisa em Políticas Públicas e renovado até o ano de 2022.

Liderado pelo professor da USP Jacques Marcovitch e pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), o estudo tem como parceira a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo.

A USP, por exemplo, já implantou um novo escritório para a gestão de indicadores e está promovendo mudanças nos sistemas tecnológicos de captação e disseminação de dados. A Unicamp está reformando estruturas internas, com o objetivo de gerar dados que possam ser usados em seu planejamento estratégico. Já a Unesp implementa um plano multidisciplinar e de longo prazo para analisar as relações possíveis entre o desempenho acadêmico e as tendências evidenciadas pelos rankings.

"Os rankings nas universidades se tornaram extremamente populares não só entre acadêmicos, jornalistas, administradores de educação, como também para a população em geral. Porém, eles são vistos sob uma ótica bastante distorcida, como uma olimpíada global em que as universidades estão competindo umas com as outras, em que se ganha ou se perde posições", disse Marco Antônio Zago, presidente da FAPESP, na abertura do II Fórum "Indicadores de Desempenho Acadêmico e Comparações Internacionais: Impactos para a Sociedade", realizado no dia 18 de outubro, no auditório da Fundação.

Para Zago, há um efeito indesejável criado pela profusão de novos índices e indicadores. "É, portanto, nossa responsabilidade, como universidades importantes, responder de maneira fundamentada ao desafio de identificar indicadores de relevância e garantir qualidade, levando em conta a heterogeneidade das universidades, sua influência sob a cidade, o estado e o país", disse.

Repensar a universidade

O encontro também foi palco para o lançamento do livro "Repensar a Universidade II: Impactos para a Sociedade", segunda publicação do projeto, com artigos sobre avaliação de desempenho nas universidades e que fixa novas métricas de desempenho para ampliar sua presença em comparações internacionais com desdobramentos que se cumprirão até 2022.

"O projeto é fundamental, pois como universidade estamos sofrendo ataques que nunca existiram em nosso país. É importante entendermos essa motivação e também mostrar para a sociedade como um todo o impacto socioeconômico das universidades. Isso só é possível comunicando dados e mostrando resultados", disse Marcelo Knobel, presidente do Cruesp e reitor da Unicamp.

Respondendo por 33,8% de toda a produção científica nacional, o complexo estadual paulista de ensino superior e pesquisa pretende agregar ao projeto dados referentes às universidades federais, que também estão abrindo seus escritórios de métricas (e-dados). Estavam presentes no fórum reitores e representantes da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"Nenhuma universidade evolui, de fato, sem ser comparada a outras na aferição de seus avanços. É preciso ser coletivo e promover um movimento em favor da qualidade das instituições de ensino superior no Brasil. A universidade contemporânea torna a alteridade um de seus fundamentos", disse Marcovitch, que ressaltou a iniciativa como um esforço, inédito no Brasil, para construir uma política pública em busca de melhores índices de excelência e novos espaços nas comparações externas.

Ponte com a sociedade

Para tanto, será oferecido um curso, em março de 2020, sobre indicadores e métricas associados ao monitoramento do desempenho acadêmico e comparações internacionais. Entre as próximas ações do projeto está o foco na digitalização.

"Ao longo do projeto, temos visto o impacto da digitalização de conteúdos e do papel das universidades não só como geradora, mas também como curadora de conhecimento", disse Marcovitch.

O papel de curador das universidades foi ressaltado na palestra de Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento da sociedade civil Todos Pela Educação. Cruz defendeu a necessidade da universidade não só na formação de professores, mas também nos resultados de pesquisa necessários para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

"Ninguém diz que educação pública de qualidade não é importante. Mas, de forma contraditória, não temos dado a ela a devida prioridade. Precisamos sair da retórica, fortalecendo pontes com a universidade para, a partir da produção acadêmica, auxiliar os governos a produzir soluções prementes na educação. Assim será possível construir um país justo no campo da educação, mas com um reflexo muito forte na economia, na distribuição de renda e na garantia de outros direitos", disse Cruz.

Um exemplo histórico de ponte criada entre a universidade e um setor socioeconômico está na área agrícola. Em um dos artigos que constituem o livro, Solange Santos e Rogerio Mugnaini, da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), analisaram a produção das três universidades públicas paulistas entre os anos de 2007 e 2016. No período, houve aumento da internacionalização de 44% para 64% nas ciências agrárias. Os dados foram medidos a partir de artigos publicados nas plataformas Scielo e Web of Science.

De acordo com Santos, a formação de capital humano e de conhecimento ocorre principalmente nas universidades. "É uma área prioritária para o país, por sua relevância social, impacto econômico e ambiental. Até a década de 1980, o país era um grande importador de alimentos e passou a ser uma grande potência produtora. Nossos resultados mostram que o Brasil alcançou isso graças à pesquisa e à formação de capital humano – fatores que estão fortemente ligados às universidades – em uma área cujo impacto social, econômico e ambiental é muito grande", disse Santos.

A publicação mostra também o impacto da pós-graduação da USP na qualidade de outras universidades com a análise de dados dos mais de 50 mil egressos, entre 1970 e 2014. Os resultados revelam que 52% são docentes em universidades do Brasil ou do exterior. "No caso da UFABC, 52% dos docentes são egressos da USP. Na Unesp são 40% e, na Unicamp, 34%", disse Aluísio Segurado, coordenador do Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico (Egida) da USP.

De acordo com Teresa Atvars, coordenadora-geral da Unicamp, os novos indicadores e métricas devem representar para a universidade uma ferramenta de disciplina para a tomada de decisão. Na comparação entre instituições, ela sublinha, também é preciso levar em conta o contexto e o modus operandi que diferencia cada universidade.

"No caso da Unicamp, trata-se de uma universidade abrangente em ensino, pesquisa e extensão e com um impacto enorme na área da saúde. Dessa forma, a análise não pode estar fundamentada apenas em dados objetivos, mas também em informação qualitativa", disse.

Para Sabine Righetti, coordenadora acadêmica do Ranking Universitário Folha (RUF), as universidades trabalham com métricas diferentes. "As universidades são muito diferentes entre si e os rankings olham todas elas como se fossem a mesma coisa. No entanto, é importante que isso não aconteça para que não se corra o risco de políticas públicas equivocadas", disse.


Por: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP

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Governo enviará pacto federativo na próxima semana, diz Guedes



Depois da reforma da Previdência, o governo se concentrará na reforma do pacto federativo e enviará a proposta ao Congresso na próxima semana, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele falou rapidamente com a imprensa ao deixar o Senado, onde acompanhou a divulgação do resultado da aprovação do texto principal da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reforma da Previdência, em segundo turno.

"Agora vamos para o pacto federativo, com várias dimensões", destacou Guedes. A revisão do pacto federativo pretende dar mais dinheiro para estados e municípios, além de desvincular e desindexar o Orçamento. "Na semana que vem, vocês [jornalistas] estarão com tudo", declarou.

Guedes se disse satisfeito com o trabalho do Congresso nos oito meses de tramitação da reforma da Previdência na Câmara e no Senado. "O sentimento é bom, é de que o Congresso fez um bom trabalho. O desempenho do Senado foi excepcional", acrescentou. Sobre a economia de R$ 800 bilhões em dez anos, o ministro disse que o impacto fiscal foi o possível.

O texto-base da reforma da Previdência foi aprovado em segundo turno por 60 votos a 19. O resultado foi mais favorável que o do primeiro turno, quando a proposta tinha sido aprovada por 56 a 19.

PEC paralela
Sobre a PEC paralela, o ministro defendeu a aprovação da peça para reincluir os estados e os municípios nas novas regras da Previdência. "Não adianta resolver o federal [na Previdência] e estados e municípios, não", disse. Guedes disse ainda que caberá aos presidentes da Câmara e do Senado definirem o processo político da revisão do pacto federativo e das reformas tributária e administrativa, como o cronograma de votações e que Casa começará a discutir qual assunto.


* Com informações da Agência Câmara

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Câmara aprova acordo de uso da Base de Lançamentos de Alcântara



O plenário da Câmara aprovou na noite de hoje (22) o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos sobre o uso da Base de Lançamentos de Alcântara assinado em março deste ano. A matéria segue para análise do Senado.

O  Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado entre os dois países contém cláusulas que protegem a tecnologia americana de lançamento de foguetes e estabelece normas para técnicos brasileiros quanto ao uso da base e sua circulação nela.

Caso seja aprovado pelo Senado, o acordo permitirá que o Brasil ingresse em um mercado que movimentou, em 2017, cerca de US$ 3 bilhões em todo o mundo, segundo dados da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos.

Votação de emenda e destaques


O Regimento Interno da Câmara prevê que, quando não há mudança no texto original, sejam as emendas sejam votadas antes do texto e dos destaques. Os deputados rejeitaram uma emenda do deputado André Figueiredo (PDT-CE) que retirava do acordo um trecho que impedia o Brasil de usar os recursos dos lançamentos no desenvolvimento de foguetes lançadores de satélites e/ou armas de destruição.

A emenda também retirava a restrição ao lançamento de satélites por países sujeitos a sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou acusados pelos Estados Unidos como financiadores de terrorismo ou mesmo de países que não assinaram o acordo de não proliferação de foguetes (MTCR), como a China. Os deputados também rejeitaram dois destaques que tratava da restrição a outros países.

* Com informações da Agência Câmara


CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA BIBLIOTECA RAIMUNDO DE MENEZES,APROVEITE ESSA OPORTUNIDADE DE DIVERSÃO GRATUITA!


Sábado, 26 de outubro.


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Biblioteca Pública Raimundo de Menezes

Av. Nordestina, 780 – São Miguel Paulista

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tel.: (11) 2297-4053



Células do próprio paciente são usadas em tratamento inovador contra o câncer

Um tratamento inovador contra o câncer, feito com células reprogramadas do próprio paciente, foi testado pela primeira vez na América Latina por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.

Conhecida como terapia de células CAR-T, a técnica foi usada para tratar um caso avançado de linfoma difuso de grandes células B – o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, doença que afeta as células do sistema linfático. O paciente, de 63 anos, já havia sido submetido sem sucesso a várias linhas diferentes de quimioterapia desde 2017.

"A expectativa de sobrevida desse paciente era menor que um ano. Para casos como esse, no Brasil, normalmente restam apenas os cuidados paliativos. Contudo, menos de um mês após a infusão das células CAR-T observamos melhora clínica evidente e até conseguimos eliminar os remédios para dor", contou Renato Cunha, pesquisador associado ao CTC e coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP-USP).

A terapia de células CAR-T (acrônimo em inglês para receptor de antígeno quimérico) foi inicialmente desenvolvida nos Estados Unidos, onde é oferecida por dois laboratórios farmacêuticos a um custo de US$ 400 mil – sem considerar os gastos com internação. Já a metodologia desenvolvida no CTC tem custo aproximado de R$ 150 mil, que pode se tornar ainda mais baixo se o tratamento passar a ser oferecido em larga escala.

"Trata-se de uma tecnologia muito recente e de uma conquista que coloca o Brasil em igualdade com países desenvolvidos. É um trabalho de grande importância social e econômica para o país", afirmou Dimas Tadeu Covas, coordenador do CTC e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular, apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O primeiro paciente foi atendido pela equipe do CTC e do Hemocentro do HC-FMRP-USP na modalidade de tratamento compassivo, que permite o uso de terapias ainda não aprovadas no país em casos graves sem outra opção disponível. O grupo pretende agora iniciar um protocolo de pesquisa com um número maior de voluntários. "Já temos outros dois pacientes com linfomas de alto grau em vias de receber a infusão de células reprogramadas", contou Cunha.

 



Como funciona

A partir de amostras de sangue dos pacientes a serem tratados, os pesquisadores isolam um tipo de leucócito conhecido como linfócito T, um dos principais responsáveis pela defesa do organismo graças à sua capacidade de reconhecer antígenos existentes na superfície celular de patógenos ou de tumores e desencadear a produção de anticorpos.

Com auxílio de um vetor viral (um vírus cujo material genético é alterado em laboratório), um novo gene é introduzido no núcleo do linfócito T, que então passa a expressar em sua superfície um receptor (uma proteína) capaz de reconhecer o antígeno específico do tumor a ser combatido.

"Ele é chamado de receptor quimérico porque é misto. Parte de um receptor que já existe no linfócito é conectada a um receptor novo, que é parte de um anticorpo capaz de reconhecer o antígeno CD19 [antiCD-19]. Com essa modificação, os linfócitos T são redirecionados para reconhecer e atacar as células tumorais", explicou Cunha.

Os leucócitos reprogramados são "expandidos" em laboratório (colocados em meio de cultura para que se proliferem) e depois infundidos no paciente. Antes do tratamento, uma leve quimioterapia é administrada para preparar o organismo.

"Cerca de 24 horas após a infusão das células CAR-T tem início uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo e induzindo a liberação de substâncias pró-inflamatórias para eliminar o tumor. Além de febre, pode haver queda acentuada da pressão arterial [choque inflamatório] e necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva [UTI]. O médico deve ter experiência com a técnica e monitorar o paciente continuamente", disse.

O aposentado submetido ao protocolo no HC da FMRP-USP no dia 9 de setembro já superou a fase crítica do tratamento, conseguiu se livrar da morfina – antes usada em dose máxima – e não apresenta mais linfonodos aumentados no pescoço.

"Além desses sinais clínicos de melhora, conseguimos detectar as células CAR-T em seu sangue e essa é a maior prova de que a metodologia funcionou", disse Cunha.

De acordo com o pesquisador, somente após três meses será possível avaliar com mais clareza se a resposta à terapia foi total ou parcial – algo que depende do perfil biológico do tumor. Os linfócitos reprogramados podem permanecer no organismo pelo resto da vida, mas também podem desaparecer após alguns anos.



Versão brasileira

O projeto que possibilitou a produção das células CAR-T teve início há cerca de quatro anos, quando foi renovado o apoio da FAPESP ao CTC. Nesse período, foram conduzidos estudos fundamentais sobre as construções virais mais usadas para a modificação gênica, bem como estabelecidos modelos animais para os estudos pré-clínicos. Cerca de 20 pesquisadores, incluindo médicos e biólogos celulares e moleculares, além de engenheiros especializados em cultivo celular em larga escala, participam do projeto.

Mais recentemente, Cunha se incorporou ao time com a experiência clínica e laboratorial adquirida durante estágio realizado no National Cancer Institute, centro ligado aos National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e pioneiro na técnica. Em dezembro de 2018, o pesquisador recebeu da Associação Americana de Hematologia (ASH, na sigla em inglês) o ASH Research Award e uma bolsa de US$ 150 mil para contribuir com o desenvolvimento da técnica na FMRP-USP. O projeto, no seu conjunto, teve apoio financeiro, além da FAPESP e do CNPq, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e do Ministério da Saúde.

"A metodologia que desenvolvemos é específica para o tratamento de linfoma, mas a mesma lógica pode ser usada para qualquer tipo de câncer. Estamos trabalhando em protocolos para o tratamento de leucemia mieloide aguda e para mieloma múltiplo. Também estamos acertando uma parceria com uma universidade japonesa com foco em tumores sólidos, como o de pâncreas", contou Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC.

O objetivo do grupo, segundo Calado, é desenvolver tratamentos de custo acessível a países de renda média e baixa e possíveis de serem incluídos no rol de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

"O custo da terapia de células CAR-T é muito próximo do valor que o SUS repassa para um transplante de medula óssea – hoje em torno de R$ 110 mil. Então o tratamento pode ser considerado acessível", disse Calado.

Covas lembrou que o CTC tem tradição em terapias pioneiras, entre elas a aplicação de células mesenquimais para tratamento de diabetes e o transplante de medula óssea em portadores de anemia falciforme.

"Só conseguimos desenvolver o protocolo CAR-T de modo relativamente rápido porque temos uma estrutura há muito tempo em construção. Esse investimento da FAPESP em ciência básica, em formação de pessoas e em infraestrutura de pesquisa agora se traduz em novos tratamentos mais eficazes contra o câncer", disse o coordenador do CTC.



Por: Karina Toledo  |  Agência FAPESP

Campanha sobre o Câncer de mama.

Dia do Poeta



O Dia do Poeta é celebrado anualmente em 20 de outubro.

Esta data celebra o profissional, que pode (e deve) ser reconhecido como um artista escritor, que usa de sua criatividade, imaginação e sensibilidade para escrever, em versos, as poesias que faz.

O principal propósito desta data é incentivar a leitura, escrita e publicação de obras poéticas nacionais.

Há séculos as pessoas se emocionam, riem e choram com essas belas produção artísticas, consideradas como uma das Sete Artes Tradicionais.

Origem do Dia do Poeta

O Dia Nacional do Poeta é comemorado a nível extraoficial, ou seja, não há uma lei que oficialize o 20 de outubro como Dia do Poeta no país.

Mas, a data foi escolhida por uma razão bastante especial para os poetas brasileiros. No dia 20 de outubro de 1976, em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia.

A data homenageia e lembra este momento ímpar para os poetas do Brasil.


Retrato do poeta Paulo Menotti Del Picchia

Curiosidades sobre o Dia da Poesia

Antigamente, a poesia era cantada e acompanhada pela lira, um instrumento musical típico da Grécia. Por isso, a poesia é classificada como pertencente ao gênero lírico da literatura.

Os poetas ainda celebram o 31 de outubro como o Dia Nacional da Poesia, oficializado através da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015. A escolha desta data é uma homenagem ao nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade.

Antes da criação da lei que oficializa o Dia Nacional da Poesia em 31 de outubro, esta era celebrada em 14 de março, em caráter não-oficial.

A escolha desta data era uma homenagem ao poeta brasileiro do romantismo Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847.

Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que celebra a nível internacional este gênero artístico. Esta data foi criada durante a XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

Dia Mundial da Osteoporose


Foto: exame.abril

O Dia Mundial de Combate à Osteoporose é celebrado anualmente em 20 de outubro.

Esta data serve para conscientizar as pessoas sobre os cuidados que se deve ter para prevenir a doença, que já é considerada o segundo maior mal ao nível mundial, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares.

A osteoporose enfraquece a massa óssea, tornando o osso muito frágil, como se fosse um vidro, em muitos casos. A doença é predominante em idosos e, como não possui sintomas que alarmem (assintomático), devem ser feitos exames rotineiros para verificar a densidade óssea das pessoas de mais idade.

A principal causa da osteoporose é a ausência ou déficit de vitamina D nos ossos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% das pessoas acima dos 65 anos apresentam níveis de vitamina D no organismo abaixo do normal.

Fazer atividades físicas, ingerir alimentos ricos em cálcio (como o leite, por exemplo) e comer adequadamente são algumas dicas para prevenir a doença e não comprometer a sua qualidade de vida.


Osteoporose no Brasil

De acordo com dados da Federação Internacional de Osteoporose (IOF – International Osteoporosis Foundation), aproximadamente 10 milhões de brasileiros têm essa doença nos ossos.

Ainda segundo informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o número de casos de osteoporose é maior em mulheres durante a pós-menopausa, sendo em média um caso para cada três mulheres.

Origem do Dia Mundial da Osteoporose

A Sociedade Britânica de Osteoporose instituiu a data em 1996 e no ano seguinte, 1997, a Internacional Osteoporosis Foundation adotou o dia como Dia Mundial e Nacional de Combate à Osteoporose.


Fonte: calendarr

Estudo investiga transição crítica em água que se mantém líquida bem abaixo de 0 °C

 A água pode manter-se líquida em temperaturas muito inferiores a 0 °C. Essa fase, chamada de super-resfriada, é um tema atual da pesquisa científica. Um modelo teórico desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, na água super-resfriada, existe um ponto crítico, no qual grandezas como a expansão e a compressibilidade térmicas apresentam comportamento anômalo.

O estudo foi coordenado por Mariano de Souza, professor do Departamento de Física do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp em Rio Claro, e contou com apoio da FAPESP. Artigo a respeito foi publicado por Souza e colaboradores na revista Scientific Reports.

"Nosso estudo evidenciou que esse segundo ponto crítico é um análogo daquele que ocorre na faixa dos 374 ºC e sob pressão da ordem de 22 megapascais, quando a água transita entre os estados líquido e gasoso", disse Souza à Agência FAPESP.

Na faixa dos 374 ºC, coexistem na água duas fases, uma líquida e outra gasosa. A gênese de tal comportamento exótico pode ser observada, por exemplo, no interior de uma panela de pressão. Nesse ponto, as propriedades termodinâmicas da água começam a apresentar um comportamento anômalo. Por isso, o mesmo é classificado como "crítico".

No caso da água super-resfriada, também coexistem duas fases, porém ambas líquidas, uma mais densa e a outra menos densa. Se o sistema continua sendo resfriado apropriadamente abaixo de 0 ºC, há um ponto no diagrama de fases em que a estabilidade das duas fases se rompe. E a água começa a cristalizar. Este é o segundo ponto crítico, determinado teoricamente pelo estudo em pauta.

"O estudo mostrou que esse segundo ponto crítico ocorre na faixa de temperatura de 180 kelvin [aproximadamente -93 °C]. Acima desse ponto, é possível existir água líquida, a chamada água super-resfriada", disse Souza.

"O mais interessante é que o modelo teórico que desenvolvemos para a água pode ser aplicado a todos os sistemas nos quais coexistam duas escalas de energia. Por exemplo, um sistema supercondutor à base de ferro que apresente também uma fase nemática [cujas moléculas se alinhem em linhas paralelas soltas]. Esse modelo teórico teve origem em diversos experimentos de expansão térmica em baixas temperaturas realizados em nosso laboratório de pesquisa", disse.

Esse modelo universal foi obtido a partir de um aprimoramento teórico do chamado parâmetro de Grüneisen, assim denominado em referência ao físico alemão Eduard Grüneisen (1877-1949). Dito de maneira simplificada, esse parâmetro descreve os efeitos que a variação de temperatura e pressão exerce sobre uma rede cristalina.

"Nossa análise dos parâmetros de Grüneisen e Pseudo-Grüneisen pode ser aplicada para investigar o comportamento crítico em qualquer sistema com duas escalas de energia. É necessário apenas ajustar adequadamente os parâmetros críticos de acordo com o sistema de interesse", disse Souza.

O artigo Enhanced Grüneisen Parameter in Supercooled Water pode ser lido em nature.com/articles/s41598-019-48353-4.


José Tadeu Arantes  |  Agência FAPESP


ONU: 30 líderes empresariais se comprometem a mobilizar recursos para objetivos globais

Foto: Gerd Altman/Pixabay

As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira (16) que 30 líderes do mundo corporativo trabalharão juntos pelos próximos dois anos numa tentativa de obter trilhões de dólares em recursos do setor privado para financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, a Aliança dos Investidores para o desenvolvimento Sustentável é co-presidida pelo CEO da Allianz, Oliver Bäte, e a CEO da Bolsa de Valores de Joanesburgo, Leila Fourie, e inclui dirigentes do Bank of America, Citigroup, Investec, Santander, UBS e importantes corporações internacionais, como a brasileira Sul América.



As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira (16) que 30 líderes do mundo corporativo trabalharão juntos pelos próximos dois anos em uma tentativa de obter trilhões de dólares em recursos do setor privado para financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, a Aliança dos Investidores para o Desenvolvimento Sustentável é co-presidida pelo CEO da Allianz, Oliver Bäte, e pela CEO da Bolsa de Valores de Joanesburgo, Leila Fourie, e inclui dirigentes de Bank of America, Citigroup, Investec, Santander, UBS e outras corporações internacionais, como a brasileira Sul América.

"Enfrentamos desigualdade crescente, aumento da devastação provocada por conflitos e desastres e o rápido aquecimento da Terra. Estes líderes compreenderam nosso senso de urgência, reconhecendo que devemos correr, não engatinhar", afirmou Guterres.

"Eles estão se comprometendo a cooperar entre fronteiras, setores financeiros e até com seus competidores, porque é ético e de bom senso empresarial investir em desenvolvimento sustentável para todas as pessoas num planeta saudável", completou a liderança da ONU.

O Diálogo de Alto Nível sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que ocorreu durante a última Assembleia Geral da ONU, despertou atenção para a necessidade urgente de aumentar os investimentos governamentais em setores cruciais como saúde, educação, infraestrutura e mudanças climáticas.

A maior parte dos países desenvolvidos não cumpriu seus compromissos com ajuda ao desenvolvimento, enquanto fatores como pobreza, corrupção e evasão fiscal limitam os recursos domésticos nos países em desenvolvimento.

As necessidades de financiamento para o desenvolvimento são estimadas em trilhões de dólares ao ano e, mesmo que os recursos de todas as fontes públicas sejam maximizados, ainda haverá um déficit significativo, tornando o financiamento do setor privado imperativo.

"Como empresas responsáveis, podemos criar valor de longo prazo ao incorporar sustentabilidade à nossa atividade principal", afirmou Oliver Bäte.

"Investir no desenvolvimento estável de sociedades do mundo não é apenas a coisa certa a fazer, é também uma oportunidade econômica. Estamos convencidos de que investir em mercados emergentes pode alavancar crescimento sustentável, sem perder de vista o interesse dos nossos clientes", completou.

Pesquisas da ONU sugerem que não há escassez de recursos no setor privado, que poderiam ser investidos em desenvolvimento sustentável. No entanto, uma combinação de fatores, incluindo o ambiente político, estruturas de incentivo e condições institucionais, tendem a desencorajar o tipo de comprometimento de longo prazo necessário.

"O estabelecimento desta Aliança reconhece a escala dos desafios que enfrentamos coletivamente e o papel que o setor financeiro precisa desempenhar para enfrentar estes desafios", afirmou Leila Fourie.

"Trocas são parte vital do ecossistema financeiro — promover transparência relevante, possibilitar uma determinação efetiva de preços e, por fim, mobilizar recursos para fins produtivos. Todos temos muito trabalho a fazer e a hora de começar é agora", convocou a executiva.

A Aliança pretende usar seu conhecimento, influência e perspicácia empresarial para descobrir maneiras de estimular investimento de longo prazo no desenvolvimento e aumentar o progresso para alcançar os ODS.

Nos próximos dois anos, o grupo irá entregar soluções para destravar financiamento e investimento de longo prazo em desenvolvimento sustentável nas empresas e em outros níveis mais amplos; mobilizar recursos adicionais para países e setores mais necessitados; encontrar meios de aumentar o impacto positivo das atividades empresariais; e alinhar práticas empresariais com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento sustentável.

O movimento surge em meio ao crescente reconhecimento no mundo corporativo de que o sucesso continuado das empresas está intrinsecamente ligado ao futuro sustentável para o mundo. O secretário-geral da ONU estabeleceu um cronograma factível de resultados para o período de duração da Aliança, que trabalhará em coordenação com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.

Lista de empresas na Aliança

Allianz SE (Alemanha) – Oliver Bäte
APG (Holanda) –  Ronald Wuijster
Aviva (Reino Unido) – Maurice Tulloch
Banco Santander (Espanha) – Ana Botin
Bancolombia (Colômbia) – Juan Carlos Mora Uribe
Bank of America (EUA) – Brian Moynihan
Caisse de dépôt et placement du Québec (Canadá) – Michael Sabia
California Public Employees' Retirement System (CalPERS) (EUA) – Marcie Frost
CIMB (Malásia) – Zafrul Aziz
Citigroup (EUA) – Michael Corbat
Consejo Mexicano de Negocios (México) – Antonio Del Valle Perochena
Eaux Minerales d'Oulmes (Marrocos) – Miriem Bensalah Chaqroun
Emirates Environmental Group (Emirados Árabes) – Habiba Al Mar'ashi
Enel S.p.A (Itália) –  Francesco Starace
First State Super (Austrália) – Deanne Stewart
Government Pension Investment Fund (Japão) – Hiro Mizuno
ICBC (China) –  Shu Gu
Infosys (Índia) –  Salil Parekh
Investec Group (África do Sul) –  Fani Titi
Johannesburg Stock Exchange ( África do Sul) –  Leila Fourie
Nuveen (EUA) – Vijay Advani
Pal Pensions Nigéria (a confirmar nome do representante)
PIMCO (EUA) – Emmanuel Roman
Safaricom (Quênia) – Michael Joseph
Sintesa Group (Indonésia) – Shinta Widjaja Kamdani
Standard Chartered (Reino Unido) – José Viñals
SulAmerica (Brasil) – Patrick Antonio Claude de Larragoiti Lucas
Swedish Investors for Sustainable Development (Suécia) – Richard Gröttheim
TDC Group A/S (Dinamarca) – Allison Kirkby
UBS Group AG (Suíça) – Sergio P. Ermotti

Para mais informações contate-nos.

Comemore...


Tarifa de energia no Distrito Federal vai ficar 7% mais barata a partir da próxima semana

A Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, aprovou, nessa terça-feira, a redução média nas tarifas da CEB, a Companhia Energética de Brasília. A empresa atende cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras no Distrito Federal. Com a decisão, os consumidores terão uma redução média de 6,79%, a partir da semana que vem, dia 22 de outubro. Pa...

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Livro destaca lutas das mulheres rurais no mundo


Foi lançado no Brasil e em mais 13 países o livro Lutadoras. A obra traz 37 artigos abordando a realidade das mulheres do campo em distintos países e as políticas públicas voltadas a elas. Os textos discutem também suas reivindicações por melhores condições de vida e garantia de mais direitos.

O livro é uma iniciativa do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em parceria com outras organizações. Entre os artigos, 41 autoras discutem os diversos aspectos das lutas das mulheres rurais.

O cenário retratado nos textos é de desigualdade. As mulheres produzem metade dos alimentos do mundo e cerca de 80% da produção na maior parte dos países em desenvolvimento. "Contudo, correspondem a 60% das pessoas com fome no globo, têm menos de 15% das terras no mundo e menos de 2% das propriedades nos países em desenvolvimento", disse na cerimônia de lançamento a especialista em gênero do IICA Cristina Costa.

Empoderamento

Hernán Chiriboga, representante do IICA no Brasil, disse que os projetos liderados por mulheres passaram de 10% para 31% de 2012 para 2019. "Mulheres estão tomando liderança do agro brasileiro. São dados importantes que queremos trazer. Esperamos que o livro seja uma ferramenta para valorizar o papel da mulher no campo", disse.

Segundo o coordenador da Região Sul do IICA, Caio Rocha, o livro ressalta a equidade e de empoderamento para trabalhadoras do campo. "Empoderamento não é um ato político em si. Ele depende de políticas públicas, para acesso a crédito, para a questão dos mercados, para economia criativa, as mais variadas políticas públicas", disse.

A representa do Movimento de Mulheres do Nordeste Parense, Rita Teixeira, elencou entre essas políticas a necessidade de apoiar a inclusão produtiva das mulheres do campo. Ela apontou o benefício do ganho de renda em diversos aspectos, inclusive na redução da violência. "Mulheres independentes financeiramente são menos violentadas. Mulheres são protagonistas pelo trabalho com a agricultura, mas vemos a invisibilidade delas", disse.

Reconhecimento e educação

O IICA ouviu 2.000 mulheres, sendo 500 no Brasil, sobre a avaliação de sua condição e seus anseios. Do total, 90% das mulheres ouvidas manifestaram orgulho de pertencer ao agronegócio agrícola. Mas 80% das entrevistadas colocavam a questão da discriminação como um fator ainda relevante que impactava salários.

As mulheres ouvidas demandaram mais reconhecimento do seu quadro e das jornadas duplas que fazem. Também houve reivindicação por educação e instrução formal, bem como maior representação em organizações produtivas e políticas, como cooperativas.

Inserção e exclusão

O livro aborda essas e outras temáticas em seus capítulos. Em seu texto, a representante da Secretaria Geral da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Josette Borbón, ressaltou o papel das mulheres no desenvolvimento dos territórios rurais da América Latina e Caribe, assegurando estabilidade e sobrevivência de suas famílias. Quase metade dos alimentos consumidos, diz a acadêmica, seria gerado por trabalhadoras rurais.

A pesquisadora assinala melhorias na condição das mulheres, como diversificação da atividade produtiva e ampliação dos níveis educacionais, superando os homens. Além disso, são beneficiadas com programas de transferência de renda, como o Bolsa Família no Brasil. Contudo, elas ainda estão excluídas em diversos aspectos. Os programas sociais, por exemplo, auxiliam mas chegam apenas a 20% dos lares rurais da região. Outro ponto de ainda baixa cobertura é a previdência para mulheres rurais.

No âmbito da divisão do trabalho, ainda ficam mais restritas geralmente aos minifúndios de subsistência, com pouca participação em empregos de segmentos de maior produtividade, como na agropecuária (20%, contra 53% dos homens). Além disso, pela ocupação com tarefas familiares não remuneradas, elas têm dificuldades de obter renda suficiente.

"A mulher rural depende do apoio decisivo das políticas públicas para poder fazer a transição para a produção intensiva e industrializada; para que possa ter segurança ante as emaças potenciais a seu cultivo; e para poder se inserir, de forma equânime, nos mercado de produção", acrescentou a vice-presidente da República Dominicana e embaixadora da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Margarita Cedeño, em outro texto do livro.

Relatos

Um dos relatos é de Rita Teixeira, do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense. No texto, ela conta sobre dores que adquiriu no corpo em razão do trabalho pesado e a falta de direitos na condição onde se encontra.

"Luto não só porque nasci e cresci em um ambiente carente. Faço-o porque o conformismo não cabe em mim e porque não posso (nem quero) calar a minha voz interior. Sonho com a reestruturação da sociedade patriarcal, a qual, acredito, é ainda mais violenta e injusta nos territórios onde habito", escreveu.

A diretora da Rede Nacional de Mulheres Rurais do México, Nuria Leonardo, abordou em seu capítulo a situação das trabalhadoras rurais em seu país. Lá 8,5 milhões de mulheres do campo estão em situação de pobreza (60% do total). Destas, 3 milhões estão em condição de pobreza extrema e 5,5 milhões em situação de pobreza moderada.

Segundo levantamento apresentado em seu texto, 47% das mulheres indígenas não possuíam instrução educacional, contra 28% dos homens nessa mesma posição. "A magnitude do atraso nas regiões indígenas é ultrajante, e representa, sem dúvida, a maior dívida do Estado mexicano", diz a ativista.


agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2019-10/livro-destaca-lutas-das-mulheres-rurais-no-mundo

Crédito de carbono: a aposta de mercado contra o efeito estufa

USINA TERMELÉTRICA MOVIDA A CARVÃO NO ESTADO DE UTAH, EUA  


As mudanças climáticas constituem uma das maiores ameaças ao futuro da humanidade. Diante do problema, nações do mundo dedicam cada vez mais esforços para conter os impactos negativos da ação humana sobre o meio ambiente. Além de pactos globais, como o Protocolo de Kyoto e seu sucessor, o Acordo de Paris, há uma busca por soluções de mercado que ajudem a reduzir a emissão de gases do efeito estufa. É o caso dos créditos de carbono.

Link para matéria: https://www.nexojornal.com.br/explicado/2019/10/04/Cr%C3%A9dito-de-carbono-a-aposta-de-mercado-contra-o-efeito-estufa


Brasileira vence prêmio global da ONU com solução solar para purificar água



A brasileira Anna Luisa Beserra, de 21 anos, fundadora do Aqualuz, venceu o Prêmio Jovens Campeões da Terra da ONU Meio Ambiente por desenvolver um dispositivo que purifica, por meio de radiação solar, a água da chuva captada em cisternas.

A falta de água potável é uma realidade que afeta mais de 1 milhão de pessoas no Brasil. Com o filtro Aqualuz, a água de cisternas é purificada por meio de raios solares, e um indicador muda de cor quando o recurso está seguro para o consumo.

A invenção é de baixo custo, fácil manutenção e pode durar até 20 anos. Embora tenha sido testada apenas no Brasil, o dispositivo tem potencial para ser aplicado em outros países. O Aqualuz já distribuiu água potável para 265 pessoas e alcançará mais 700 ainda este ano.
A brasileira Anna Luisa Santos, de 15 anos, é uma das finalistas do prêmio Jovens Campeões da Terra, da ONU Meio Ambiente. Foto: ONU Meio Ambiente

A brasileira Anna Luisa Beserra, de 15 anos, é uma das finalistas do prêmio Jovens Campeões da Terra, da ONU Meio Ambiente. Foto: ONU Meio Ambiente

A brasileira Anna Luisa Beserra, de 21 anos, fundadora do Aqualuz, venceu o Prêmio Jovens Campeões da Terra por desenvolver um dispositivo que purifica, por meio de radiação solar, a água da chuva captada em cisternas.

Nos próximos dias, líderes mundiais se reúnem na sede da ONU em Nova Iorque para a Cúpula de Ação Climática e para a Assembleia Geral, abordando temas ambientais e mudanças climáticas nas discussões.

As doenças diarreicas estão entre as principais causas de morte em todo o mundo, sendo diretamente ligadas à falta de água potável e à falta de saneamento e acesso à higiene. Esses problemas atingem principalmente populações jovens, vulneráveis ou que vivem em zonas rurais remotas.

O Aqualuz é um filtro inovador que purifica a água da chuva coletada por cisternas instaladas em áreas rurais, onde a água filtrada não é acessível. Esta realidade afeta mais de 1 milhão de pessoas no Brasil. A água da cisterna é purificada por meio de raios solares e um indicador muda de cor quando o recurso está seguro para o consumo.

"Meu propósito é levar o direito básico à água limpa para as comunidades carentes nas áreas rurais", afirmou Beserra. "Queremos ajudar a melhorar a vida das pessoas e salvar vidas."

A invenção é de baixo custo, fácil manutenção e pode durar até 20 anos. Embora tenha sido testada apenas no Brasil, o dispositivo tem potencial para ser aplicado em outros países. O Aqualuz já distribuiu água potável para 265 pessoas e alcançará mais 700 ainda este ano.

"Nosso planeta com estresse hídrico está sofrendo o peso da extração incessante, da poluição e da mudança climática. É vital encontrarmos novas formas de proteger, reciclar e reutilizar este precioso recurso. Tornar a água potável acessível e segura a todos e todas é vital para atingirmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável", disse a diretora-executiva da ONU Meio Ambiente, Inger Andersen.

Para o presidente empresa alemã Covestro, apoiadora do prêmio, Markus Steilemann, o mundo dos negócios precisa de ideias novas e de uma cultura de startups que enfrentem os desafios ambientais globais, assegurando ao mesmo tempo o crescimento em longo prazo. "Os Jovens Campeões da Terra podem ajudar a alcançar isso e todos na Covestro têm orgulho em apoiá-los. Queremos ajudar a tornar o mundo um lugar melhor."

Um júri global composto por Markus Steilemann; Joyce Msuya, diretora-executiva adjunta da ONU Meio Ambinete; Arielle Duhaime-Ross, correspondente da VICE News Tonight para ciência e mudanças climáticas; Jayathma Wickramanayake, enviada do secretário-geral da ONU para a juventude; e Kathy Calvin, presidente e diretora-executiva da Fundação das Nações Unidas, selecionou os vencedores e vencedoras entre 35 finalistas regionais de mais de 1.000 candidatos.

No decorrer do próximo ano, as iniciativas inovadoras dos campeões serão documentadas nas mídias sociais por meio de atualizações regulares em notícias e vídeo-blogs. Inscreva-se e acompanhe a jornada deles aqui.

O prestigioso Prêmio Jovens Campeões da Terra, oferecido pela Covestro, é concedido anualmente pela ONU Meio Ambiente a jovens ambientalistas entre 18 e 30 anos, por suas destacadas ideias em prol do meio ambiente.

Anna Luisa é uma das sete vencedoras de África, América do Norte, América Latina e Caribe, Ásia e Pacífico, Europa e Ásia Ocidental. Os vencedores receberão seu prêmio durante a Cerimônia dos Campeões da Terra em Nova Iorque, no dia 26 de setembro, coincidindo com a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas e a Cúpula de Ação Climática.
Sobre os Jovens Campeões da Terra

O Prêmio Jovens Campeões da Terra começou em 2017, oferecendo aos brilhantes jovens ambientalistas com visão a prestigiada e bem-sucedida plataforma Campeões da Terra – cujos vencedores incluem chefes de Estado, cientistas inspiradores e visionários ambientalistas – https://www.unenvironment.org/youngchampions/pt-br.
Sobre a ONU Meio Ambiente

A ONU Meio Ambiente é o principal porta-voz mundial em matéria ambiental. Ela proporciona liderança e incentiva parcerias no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e permitindo que nações e povos melhorem sua qualidade de vida sem comprometer as gerações futuras. A ONU Meio Ambiente trabalha com governos, setor privado, sociedade civil, outras entidades da ONU e organizações internacionais em todo o mundo.
Sobre a Covestro

Com vendas de 14,6 bilhões de dólares em 2018, a Covestro está entre as maiores empresas de polímeros do mundo. As atividades de negócios estão focadas na fabricação de materiais poliméricos de alta tecnologia e no desenvolvimento de soluções inovadoras para produtos utilizados em diversas áreas da vida cotidiana.

Os principais segmentos atendidos são as indústrias automotiva, de construção, processamento de madeira e móveis e elétrica e eletrônica. Outros setores incluem esportes e lazer, cosméticos, saúde e a própria indústria química. A Covestro possui 30 unidades de produção em todo o mundo e emprega aproximadamente 16.800 pessoas.
ONU Meio Ambiente

Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

Material permite a liberação simultânea e controlada de fármacos com ações diferentes


Um material polimérico e com características de hidrogel desenvolvido por pesquisadores brasileiros pode ajudar a responder a um dos desafios atuais da indústria farmacêutica: criar um sistema que permita a liberação controlada no organismo de moléculas com diferentes atividades farmacológicas contidas em uma única drágea.

Em um estudo apoiado pela FAPESP e divulgado na revista Applied Bio Materials, da American Chemical Society, cientistas das universidades de Franca (Unifran) e do Estado de Minas Gerais (UEMG) testaram o uso de uma classe de material conhecida como siloxano-poliéter – ou "ureasil" – para liberar no organismo de forma simultânea um anticancerígeno e um anti-inflamatório. Além de ações terapêuticas distintas, os fármacos usados na pesquisa também apresentam diferentes graus de afinidade por água.

"Conseguimos desenvolver um sistema para liberação simultânea de dois fármacos incorporados a uma mesma matriz polimérica [plástica]", disse Eduardo Ferreira Molina, professor da Unifran e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

Flexível e transparente, a matriz polimérica é composta de segmentos em escala nanométrica (bilionésima parte do metro) de siloxano e de um poliéter (PEO). Com características de hidrogel (gel formado por uma rede rígida tridimensional de polímeros), o material é capaz de absorver volumes elevados de água em seus interstícios sem se dissolver e, por isso, é considerado ideal para liberação controlada de fármacos.

Por meio de um processo denominado sol-gel – no qual ocorre a transformação de um líquido com partículas em suspensão ("sol") em um gel –, os pesquisadores conseguiram incorporar à matriz o anti-inflamatório naproxeno e o anticancerígeno 5-fluorouracil simultaneamente.

"A ideia foi incorporar dois agentes terapêuticos sem alterar as propriedades físico-químicas da matriz polimérica ou dos fármacos", explicou Molina.

O anti-inflamatório naproxeno tem caráter hidrofóbico, ou seja, não absorve água. Já o 5-fluorouracil é hidrofílico e, portanto, tem maior afinidade com o líquido. A incorporação de ambos à matriz de poliéter foi possível devido aos grupos funcionais presentes no material.

"Isso possibilitou a 'solubilização' do naproxeno e do 5-fluorouracil", explicou Molina.

Teste de liberação

A fim de testar e medir a liberação dos medicamentos foram feitos ensaios in vitro em que o material foi imerso em água com temperatura e nível de acidez (pH) similares aos encontrados no intestino humano.

A quantidade de medicamentos liberada na solução foi medida por espectroscopia no ultravioleta visível. Os resultados mostraram que o material foi capaz de liberar os medicamentos em quantidades iguais e manter a liberação ao longo do tempo.

"Esses resultados são inéditos. Até então, não havia nenhum relato na literatura científica da aplicação dessa classe de materiais para liberar de forma controlada dois agentes terapêuticos simultaneamente, na mesma quantidade, e manter isso ao longo do tempo", disse Molina.

Efeito sinérgico contra o câncer

De acordo com o pesquisador, a ideia é que o material seja usado como drágea para encapsular e liberar controladamente uma série de agentes terapêuticos, entre eles quimioterápicos usados no combate ao câncer.

Uma das limitações dos quimioterápicos usados hoje é a quimiorresistência – a resistência de determinadas células cancerosas à ação do composto ativo. Sistemas de entrega de fármacos como esse descrito no artigo podem retardar o desenvolvimento da quimiorresistência, além de melhorar a eficácia terapêutica e diminuir os efeitos colaterais. Isso porque a combinação de diferentes agentes terapêuticos em um mesmo fármaco tende a promover um efeito sinérgico ou combinado, apontou Molina.

"Além de combater o câncer, um medicamento com esse sistema de liberação contendo um quimioterápico e outro agente terapêutico poderia diminuir os efeitos colaterais do tratamento", disse.

O trabalho também recebeu financiamento da FAPESP por meio de uma bolsa de mestrado.

O artigo "Ureasil organic−inorganic hybrid as a potential carrier for combined delivery of anti-inflammatory and anticancer drugs" (DOI: 10.1021/acsabm.8b00798), de Beatriz B. Caravieri, Natana A. M. de Jesus, Lilian K. de Oliveira, Marina D. Araujo, Gabriele P. Andrade e Eduardo F. Molina, pode ser lido por assinantes da revista Applied Bio Materials em https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acsabm.8b00798.


Elton Alisson | Agência FAPESP

Vale transporte digital troca cartão físico por aplicativo e QR Code


Além de tornar o uso mais fácil para os passageiros, a novidade busca evitar o uso indevido.


O sistema de pagamento de passagens de transporte sobre trilhos por QR Code, disponível atualmente em sete estações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e do metrô na capital paulista, vai ser usado para testar outra novidade: o vale transporte (VT) digital. A ideia é que, no futuro, o recurso substitua os cartões usados atualmente.


O VT digital será incluído no aplicativo VouD e o acesso a ele vai requerer login e senha. O pagamento das passagens é feito via QR Code (exibido na tela do celular e apresentado no validador da catraca) e os valores são deduzidos à medida os créditos são utilizados. Trata-se, portanto, de uma alternativa aos cartões físicos que garante mais comodidade aos usuários e ajuda a evitar o uso indevido.


Ainda não há data definida para o início do projeto-piloto, mas a Autopass, responsável pela novidade, diz que ele vai entrar em vigor até o fim de 2019 — a ideia é garantir que a solução esteja disponível para o mercado no primeiro trimestre de 2020. Depois do teste, a intenção é integrar a solução com os ônibus e, até, levá-la para outras localidades.

Todo o gerenciamento do VT digital será feito em tempo real. Com isso, será possível monitorar os locais de uso do app e identificar mau uso (caso alguém forneça login e senha a terceiros, por exemplo). Entre as facilidades para os passageiros estão a possibilidade de consultar o saldo online e validar os créditos automaticamente.


Saiu no olhar digital - por Roseli Andrion

Novo CD de Consuelo de Paula, Maryákoré,,,tem show de pré-lançamento em Campinas


Capa Maryákoré -Consuelo de Paula -divulgação


A cantora e compositora mineira Consuelo de Paula faz show de pré-lançamento de seu novo CD, Maryákoré, no Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo - Campinas, SP, integrando a programação do projeto Primavera da Canção. O espetáculo acontece no dia 11 de outubro, sexta, às 20 horas. E os ingressos são contribuições espontâneas no chapéu.

 

Consuelo (voz, violão e percussão), acompanhada por Carlinhos Ferreira (percussão), interpreta, além do repertório de Maryákoré, o catimbó "Tupinambá" (D.P.), um canto dos índios Kiriris e músicas dos seus discos anrteriores que 'conversam' esteticametne com o novo trabalho. O cenário do show, criado por Marli Wunder e Alik Wunder, coloca o som de Consuelo de Paula e Maryákoré em sintona com o charme do Casarão.

 

O Primavera da Canção acontece entre os dias 4 e 25 de outubro, sempre às sextas, às 20h, com curdoria e produção de João Arruda.

 

O sétimo disco da carreira de Consuelo de Paula é uma obra provocadora naquilo que tem de mais feminina, mais negra, mais indígena e mais reveladora de nós mesmos. O título pode ser entendido como uma nova assinatura de Consuelo de Paula: maryá (Maria é o primeiro nome de Consuelo), koré (flecha na língua paresi-haliti, família Aruak), oré (nós em tupi-guarani) e yakoré (nome próprio africano).

 

Além de assinar letras e músicas - tendo apenas duas parcerias, uma com Déa Trancoso e outra com Rafael Altério -, Consuelo é responsável pela direção, pelos arranjos, por todos os violões e por algumas percussões de Maryákoré (caixa do divino, cincerro, unhas de lhama, entre outros). A harmonia entre Consuelo e sua música, sua poesia, sua expressão e a estética apresentada é nítida nesse CD. Ao interpretar letras carregadas de imagens e sensações, ao dedilhar os ritmos que passam por Minas Gerais e pelos sons dos diversos "brasis", notamos a artista imersa em sua história: ela traz a vida e a arte integrada às canções.

 

Segundo Consuelo, desde o nome, o trabalho "traduz uma arte guerreira e amorosa, que se alimenta da força dos ventos, das brisas e das tempestades; nasceu entre o dia e a noite, entre a cidade e as matas, entre raios e trovões". Essas energias, movimentos e gestos de amor e de luta, estão condensados nas músicas, nos arranjos e na voz da cantora e compositora, de modo a reafirmar a fisionomia vigorosa de uma artista inquieta, de expressividade singular e força criativa que se renova a cada trabalho.

 

O violão é seu instrumento de composição que, nesse trabalho, revela-se também, de maneira ousada e criativa, como parte de seu corpo; e como koré provoca as composições ao mesmo tempo em que comanda e orienta os ritmos que dão originalidade à obra. Consuelo gravou juntos o violão e a voz, ao vivo, no estúdio Dançapé do músico Mário Gil, transpondo para o disco a naturalidade e a energia original das canções. Um desafio que pode ser conferido em cada uma das dez faixas: ora o violão silencia as cordas para servir de tambor, ora se ausenta para deixar fluir a voz à capela; em outros momentos as cordas produzem somente um pizzicato para acompanhar o movimento da melodia; e, às vezes, soa como percussão e instrumento harmônico. Tudo ao mesmo tempo.

 

Além do violão, um piano e vários instrumentos percussivos compõem a sonoridade de Maryákoré. Consuelo conta com o percussionista Carlinhos Ferreira para produzir paisagens e novos sons com instrumentos criados por ele, como goopchandra com arco, flautas de tubos, rabeca de lata, tambor de mar, gungas de sementes e outros. O piano de Guilherme Ribeiro enriquece esse cenário ao fazer destacar na obra, utilizando suavidade e desenhos sonoros, os contrastes imaginados por Consuelo.

 

O CD é apresentado em dois movimentos. Da mesma maneira que assistimos a um bom filme, acompanhar o roteiro de Maryákoré é uma experiência surpreendente. "São gestos, ventos que impulsionam ciclos, são lutas internas e externas que foram trazendo o disco e apontando o rumo das canções", revela Consuelo. Maryákoré é uma guerreira em meio às batalhas cotidianas pela vida e pela arte, é uma obra-síntese da dedicação da artista, de sua fina sensibilidade musical, poética e social. É a voz de Consuelo de Paula frente aos desafios dos nossos tempos.

 

O primeiro movimento começa com "Ventoyá" (poesia de Déa Trancoso, que Consuelo musicou logo na primeira leitura). Consuelo abre o disco batucando no violão, trazendo um clima de ventos e tempestades que anunciam uma nova estação. Na sequência ouvimos o piano, o violão e a percussão que revelam a nova textura sonora, feita para a canção "Andamento". Consuelo a compôs quando viu um instrumento feito por índios brasileiros (pau de chuva) e se lembrou de um verso do terno dos marinheiros de sua cidade natal (Pratápolis, MG): "eu vou, eu vou remando contra a maré". Aqui ela cita também um verso do poeta Paulo Nunes ("o uivo perdido no meio da floresta, passados mil anos, virou esse canto") e acrescenta: "um grito que a noite me empresta / um fado cigano / um índio, um banto / na voz que me resta / que por uma fresta / vazou nesse canto". É clara a poesia contrastante da artista que traduz a comoção pelo belo. E o trio de aberturas se faz com a próxima canção: "Chamamento"- em um clima de capoeira que Consuelo realiza com o seu toque de violão-berimbau. A cantora criou um arranjo crescente, um a um os instrumentos entram - flauta de tubos, violão, piano, rabeca de lata (criada por Carlinhos Ferreira), caxixis, unhas de lhama (instrumento indígena e andino), triângulo, pandeiro e caixa do divino. É um grito de guerra, uma convocação: "vai chamar meu povo / o pajé, o capoeira / as senhoras, as meninas / ... / vai chamar o sol mais quente / a lua cheia, a ventania, o trovão fora de hora / o raio e a nossa alegria / ... /".

 

Com seu violão harmônico e percussivo, Consuelo traz na quarta faixa a canção homônima ao CD, "Maryákoré": "Sou a fumaça que sobe na mata na hora mais quente / a fogueira no quintal da minha gente / sou maryákoré, katxerê, marielle da maré / sou a lua, a luta e os nossos olhos brilhando horizontes". E no final Consuelo cria um outro ambiente no qual cita Tom Jobim ("deixe o índio vivo") e um ponto de candomblé. A canção "Separação" encerra o primeiro movimento. É a música da ausência, do silêncio. O violão em pizzicato é perfeito para o sentimento que a canção nos causa. "Esse é um poema meu, que redescobri durante o processo do disco, e musiquei", conta Consuelo.

 

Abrindo o segundo movimento de Maryákoré, "Caminho de Volta" traz Consuelo cantando à capela, anunciando um recomeço com um canto limpo e forte: "avistei grande búfalo do oriente / travessei o mar / ... / morte não vai me matar / longe do meu lugar". É um moçambique, ritmo afro-mineiro (compasso em seis por oito) de forte presença nas origens da música de Consuelo de Paula. O álbum segue com "Arvoredo" que traz o clima das paisagens mineiras: "minha casa é madeira, tronco, galho e raiz / minha casa é cordilheira / fiz pra gente ser feliz / ... /". E aqui ela constrói 'nossa casa' ao lado de várias tribos (kariris, puris, guaranis, kiriris). Essa é mais uma composição na qual mostra sua forma particular de respirar, cantar e tocar ritmos, que quando ouvimos já sabemos que se trata de Consuelo de Paula. "Os Movimentos do Amor" é um samba de Consuelo tocado com caixa de congo e berimbau. Traz uma harmonia rica que passa pela sonoridade mineira mais urbana. Na abertura, um poema dela entre notas suaves de piano e berimbau: "o amor é o som do seu nome / o rastro que fica quando você some / a alga verde que o mar come entre brancas ondas / pra depois matar a fome do peixe e do homem".

 

A nona faixa, "Remando Contra a Maré" (melodia de Rafael Altério, letrada por Consuelo), conversa com a segunda abertura do CD - "Andamento" - por meio do canto dos congadeiros: "eu vou, eu vou remando contra a maré" (aqui apresentado no final da canção). Impossível não se emocionar com essa bela toada. "Saudação" encerra o segundo movimento do CD e traz, ao mesmo tempo, a despedida e a abertura para um recomeço: "Vou saudar a gira do tempo / ogunhê meu pai / vou cantar despedida / ... /  e com o olhar cruzado no teu / abrirei caminho / noite afora, noite adentro / até que o sol retorne da casa de Lia / com o cheiro da terra que nossos olhos não alcançam / com aromas de um novo dia". E, conversando com a terceira faixa de abertura do CD - "Chamamento" - Maryákoré termina com o contagiante violão percussivo de Consuelo de Paula, como uma energia que nos visita, como um ciclo que se fecha e se abre no tempo.

 

Lançamento/CD: Maryákoré

Artista: Consuelo de Paula

Distribuição: Tratore. Ano: 2019. Preço sugerido: R$ 35,00