Sábado, 26 de outubro.
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Biblioteca Pública Raimundo de Menezes
Av. Nordestina, 780 – São Miguel Paulista
08021-000 – São Paulo, SP
tel.: (11) 2297-4053
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Um tratamento inovador contra o câncer, feito com células reprogramadas do próprio paciente, foi testado pela primeira vez na América Latina por pesquisadores do Centro de Terapia Celular (CTC) da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP.
Conhecida como terapia de células CAR-T, a técnica foi usada para tratar um caso avançado de linfoma difuso de grandes células B – o tipo mais comum de linfoma não Hodgkin, doença que afeta as células do sistema linfático. O paciente, de 63 anos, já havia sido submetido sem sucesso a várias linhas diferentes de quimioterapia desde 2017.
"A expectativa de sobrevida desse paciente era menor que um ano. Para casos como esse, no Brasil, normalmente restam apenas os cuidados paliativos. Contudo, menos de um mês após a infusão das células CAR-T observamos melhora clínica evidente e até conseguimos eliminar os remédios para dor", contou Renato Cunha, pesquisador associado ao CTC e coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP-USP).
A terapia de células CAR-T (acrônimo em inglês para receptor de antígeno quimérico) foi inicialmente desenvolvida nos Estados Unidos, onde é oferecida por dois laboratórios farmacêuticos a um custo de US$ 400 mil – sem considerar os gastos com internação. Já a metodologia desenvolvida no CTC tem custo aproximado de R$ 150 mil, que pode se tornar ainda mais baixo se o tratamento passar a ser oferecido em larga escala.
"Trata-se de uma tecnologia muito recente e de uma conquista que coloca o Brasil em igualdade com países desenvolvidos. É um trabalho de grande importância social e econômica para o país", afirmou Dimas Tadeu Covas, coordenador do CTC e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular, apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O primeiro paciente foi atendido pela equipe do CTC e do Hemocentro do HC-FMRP-USP na modalidade de tratamento compassivo, que permite o uso de terapias ainda não aprovadas no país em casos graves sem outra opção disponível. O grupo pretende agora iniciar um protocolo de pesquisa com um número maior de voluntários. "Já temos outros dois pacientes com linfomas de alto grau em vias de receber a infusão de células reprogramadas", contou Cunha.
Como funciona
A partir de amostras de sangue dos pacientes a serem tratados, os pesquisadores isolam um tipo de leucócito conhecido como linfócito T, um dos principais responsáveis pela defesa do organismo graças à sua capacidade de reconhecer antígenos existentes na superfície celular de patógenos ou de tumores e desencadear a produção de anticorpos.
Com auxílio de um vetor viral (um vírus cujo material genético é alterado em laboratório), um novo gene é introduzido no núcleo do linfócito T, que então passa a expressar em sua superfície um receptor (uma proteína) capaz de reconhecer o antígeno específico do tumor a ser combatido.
"Ele é chamado de receptor quimérico porque é misto. Parte de um receptor que já existe no linfócito é conectada a um receptor novo, que é parte de um anticorpo capaz de reconhecer o antígeno CD19 [antiCD-19]. Com essa modificação, os linfócitos T são redirecionados para reconhecer e atacar as células tumorais", explicou Cunha.
Os leucócitos reprogramados são "expandidos" em laboratório (colocados em meio de cultura para que se proliferem) e depois infundidos no paciente. Antes do tratamento, uma leve quimioterapia é administrada para preparar o organismo.
"Cerca de 24 horas após a infusão das células CAR-T tem início uma reação inflamatória, sinal de que os linfócitos modificados estão se reproduzindo e induzindo a liberação de substâncias pró-inflamatórias para eliminar o tumor. Além de febre, pode haver queda acentuada da pressão arterial [choque inflamatório] e necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva [UTI]. O médico deve ter experiência com a técnica e monitorar o paciente continuamente", disse.
O aposentado submetido ao protocolo no HC da FMRP-USP no dia 9 de setembro já superou a fase crítica do tratamento, conseguiu se livrar da morfina – antes usada em dose máxima – e não apresenta mais linfonodos aumentados no pescoço.
"Além desses sinais clínicos de melhora, conseguimos detectar as células CAR-T em seu sangue e essa é a maior prova de que a metodologia funcionou", disse Cunha.
De acordo com o pesquisador, somente após três meses será possível avaliar com mais clareza se a resposta à terapia foi total ou parcial – algo que depende do perfil biológico do tumor. Os linfócitos reprogramados podem permanecer no organismo pelo resto da vida, mas também podem desaparecer após alguns anos.

Versão brasileira
O projeto que possibilitou a produção das células CAR-T teve início há cerca de quatro anos, quando foi renovado o apoio da FAPESP ao CTC. Nesse período, foram conduzidos estudos fundamentais sobre as construções virais mais usadas para a modificação gênica, bem como estabelecidos modelos animais para os estudos pré-clínicos. Cerca de 20 pesquisadores, incluindo médicos e biólogos celulares e moleculares, além de engenheiros especializados em cultivo celular em larga escala, participam do projeto.
Mais recentemente, Cunha se incorporou ao time com a experiência clínica e laboratorial adquirida durante estágio realizado no National Cancer Institute, centro ligado aos National Institutes of Health (NIH) dos Estados Unidos e pioneiro na técnica. Em dezembro de 2018, o pesquisador recebeu da Associação Americana de Hematologia (ASH, na sigla em inglês) o ASH Research Award e uma bolsa de US$ 150 mil para contribuir com o desenvolvimento da técnica na FMRP-USP. O projeto, no seu conjunto, teve apoio financeiro, além da FAPESP e do CNPq, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e do Ministério da Saúde.
"A metodologia que desenvolvemos é específica para o tratamento de linfoma, mas a mesma lógica pode ser usada para qualquer tipo de câncer. Estamos trabalhando em protocolos para o tratamento de leucemia mieloide aguda e para mieloma múltiplo. Também estamos acertando uma parceria com uma universidade japonesa com foco em tumores sólidos, como o de pâncreas", contou Rodrigo Calado, professor da FMRP-USP e membro do CTC.
O objetivo do grupo, segundo Calado, é desenvolver tratamentos de custo acessível a países de renda média e baixa e possíveis de serem incluídos no rol de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
"O custo da terapia de células CAR-T é muito próximo do valor que o SUS repassa para um transplante de medula óssea – hoje em torno de R$ 110 mil. Então o tratamento pode ser considerado acessível", disse Calado.
Covas lembrou que o CTC tem tradição em terapias pioneiras, entre elas a aplicação de células mesenquimais para tratamento de diabetes e o transplante de medula óssea em portadores de anemia falciforme.
"Só conseguimos desenvolver o protocolo CAR-T de modo relativamente rápido porque temos uma estrutura há muito tempo em construção. Esse investimento da FAPESP em ciência básica, em formação de pessoas e em infraestrutura de pesquisa agora se traduz em novos tratamentos mais eficazes contra o câncer", disse o coordenador do CTC.
Por: Karina Toledo | Agência FAPESP

O Dia do Poeta é celebrado anualmente em 20 de outubro.
Esta data celebra o profissional, que pode (e deve) ser reconhecido como um artista escritor, que usa de sua criatividade, imaginação e sensibilidade para escrever, em versos, as poesias que faz.
O principal propósito desta data é incentivar a leitura, escrita e publicação de obras poéticas nacionais.
Há séculos as pessoas se emocionam, riem e choram com essas belas produção artísticas, consideradas como uma das Sete Artes Tradicionais.
Origem do Dia do Poeta
O Dia Nacional do Poeta é comemorado a nível extraoficial, ou seja, não há uma lei que oficialize o 20 de outubro como Dia do Poeta no país.
Mas, a data foi escolhida por uma razão bastante especial para os poetas brasileiros. No dia 20 de outubro de 1976, em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia.
A data homenageia e lembra este momento ímpar para os poetas do Brasil.

Retrato do poeta Paulo Menotti Del Picchia
Curiosidades sobre o Dia da Poesia
Antigamente, a poesia era cantada e acompanhada pela lira, um instrumento musical típico da Grécia. Por isso, a poesia é classificada como pertencente ao gênero lírico da literatura.
Os poetas ainda celebram o 31 de outubro como o Dia Nacional da Poesia, oficializado através da lei 13.131, de 3 de janeiro de 2015. A escolha desta data é uma homenagem ao nascimento do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade.
Antes da criação da lei que oficializa o Dia Nacional da Poesia em 31 de outubro, esta era celebrada em 14 de março, em caráter não-oficial.
A escolha desta data era uma homenagem ao poeta brasileiro do romantismo Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847.
Ainda existe o Dia Mundial da Poesia, em 21 de março, que celebra a nível internacional este gênero artístico. Esta data foi criada durante a XXX Conferência Geral da UNESCO, em 16 de novembro de 1999.

Foto: exame.abril
O Dia Mundial de Combate à Osteoporose é celebrado anualmente em 20 de outubro.
Esta data serve para conscientizar as pessoas sobre os cuidados que se deve ter para prevenir a doença, que já é considerada o segundo maior mal ao nível mundial, ficando atrás apenas das doenças cardiovasculares.
A osteoporose enfraquece a massa óssea, tornando o osso muito frágil, como se fosse um vidro, em muitos casos. A doença é predominante em idosos e, como não possui sintomas que alarmem (assintomático), devem ser feitos exames rotineiros para verificar a densidade óssea das pessoas de mais idade.
A principal causa da osteoporose é a ausência ou déficit de vitamina D nos ossos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% das pessoas acima dos 65 anos apresentam níveis de vitamina D no organismo abaixo do normal.
Fazer atividades físicas, ingerir alimentos ricos em cálcio (como o leite, por exemplo) e comer adequadamente são algumas dicas para prevenir a doença e não comprometer a sua qualidade de vida.
Osteoporose no Brasil
De acordo com dados da Federação Internacional de Osteoporose (IOF – International Osteoporosis Foundation), aproximadamente 10 milhões de brasileiros têm essa doença nos ossos.
Ainda segundo informações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o número de casos de osteoporose é maior em mulheres durante a pós-menopausa, sendo em média um caso para cada três mulheres.
Origem do Dia Mundial da Osteoporose
A Sociedade Britânica de Osteoporose instituiu a data em 1996 e no ano seguinte, 1997, a Internacional Osteoporosis Foundation adotou o dia como Dia Mundial e Nacional de Combate à Osteoporose.
Fonte: calendarr

A água pode manter-se líquida em temperaturas muito inferiores a 0 °C. Essa fase, chamada de super-resfriada, é um tema atual da pesquisa científica. Um modelo teórico desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que, na água super-resfriada, existe um ponto crítico, no qual grandezas como a expansão e a compressibilidade térmicas apresentam comportamento anômalo.
O estudo foi coordenado por Mariano de Souza, professor do Departamento de Física do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp em Rio Claro, e contou com apoio da FAPESP. Artigo a respeito foi publicado por Souza e colaboradores na revista Scientific Reports.
"Nosso estudo evidenciou que esse segundo ponto crítico é um análogo daquele que ocorre na faixa dos 374 ºC e sob pressão da ordem de 22 megapascais, quando a água transita entre os estados líquido e gasoso", disse Souza à Agência FAPESP.
Na faixa dos 374 ºC, coexistem na água duas fases, uma líquida e outra gasosa. A gênese de tal comportamento exótico pode ser observada, por exemplo, no interior de uma panela de pressão. Nesse ponto, as propriedades termodinâmicas da água começam a apresentar um comportamento anômalo. Por isso, o mesmo é classificado como "crítico".
No caso da água super-resfriada, também coexistem duas fases, porém ambas líquidas, uma mais densa e a outra menos densa. Se o sistema continua sendo resfriado apropriadamente abaixo de 0 ºC, há um ponto no diagrama de fases em que a estabilidade das duas fases se rompe. E a água começa a cristalizar. Este é o segundo ponto crítico, determinado teoricamente pelo estudo em pauta.
"O estudo mostrou que esse segundo ponto crítico ocorre na faixa de temperatura de 180 kelvin [aproximadamente -93 °C]. Acima desse ponto, é possível existir água líquida, a chamada água super-resfriada", disse Souza.
"O mais interessante é que o modelo teórico que desenvolvemos para a água pode ser aplicado a todos os sistemas nos quais coexistam duas escalas de energia. Por exemplo, um sistema supercondutor à base de ferro que apresente também uma fase nemática [cujas moléculas se alinhem em linhas paralelas soltas]. Esse modelo teórico teve origem em diversos experimentos de expansão térmica em baixas temperaturas realizados em nosso laboratório de pesquisa", disse.
Esse modelo universal foi obtido a partir de um aprimoramento teórico do chamado parâmetro de Grüneisen, assim denominado em referência ao físico alemão Eduard Grüneisen (1877-1949). Dito de maneira simplificada, esse parâmetro descreve os efeitos que a variação de temperatura e pressão exerce sobre uma rede cristalina.
"Nossa análise dos parâmetros de Grüneisen e Pseudo-Grüneisen pode ser aplicada para investigar o comportamento crítico em qualquer sistema com duas escalas de energia. É necessário apenas ajustar adequadamente os parâmetros críticos de acordo com o sistema de interesse", disse Souza.
O artigo Enhanced Grüneisen Parameter in Supercooled Water pode ser lido em nature.com/articles/s41598-019-48353-4.
José Tadeu Arantes | Agência FAPESP
Foto: Gerd Altman/Pixabay
As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira (16) que 30 líderes do mundo corporativo trabalharão juntos pelos próximos dois anos numa tentativa de obter trilhões de dólares em recursos do setor privado para financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, a Aliança dos Investidores para o desenvolvimento Sustentável é co-presidida pelo CEO da Allianz, Oliver Bäte, e a CEO da Bolsa de Valores de Joanesburgo, Leila Fourie, e inclui dirigentes do Bank of America, Citigroup, Investec, Santander, UBS e importantes corporações internacionais, como a brasileira Sul América.
As Nações Unidas anunciaram nesta quarta-feira (16) que 30 líderes do mundo corporativo trabalharão juntos pelos próximos dois anos em uma tentativa de obter trilhões de dólares em recursos do setor privado para financiar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, a Aliança dos Investidores para o Desenvolvimento Sustentável é co-presidida pelo CEO da Allianz, Oliver Bäte, e pela CEO da Bolsa de Valores de Joanesburgo, Leila Fourie, e inclui dirigentes de Bank of America, Citigroup, Investec, Santander, UBS e outras corporações internacionais, como a brasileira Sul América.
"Enfrentamos desigualdade crescente, aumento da devastação provocada por conflitos e desastres e o rápido aquecimento da Terra. Estes líderes compreenderam nosso senso de urgência, reconhecendo que devemos correr, não engatinhar", afirmou Guterres.
"Eles estão se comprometendo a cooperar entre fronteiras, setores financeiros e até com seus competidores, porque é ético e de bom senso empresarial investir em desenvolvimento sustentável para todas as pessoas num planeta saudável", completou a liderança da ONU.
O Diálogo de Alto Nível sobre Financiamento para o Desenvolvimento, que ocorreu durante a última Assembleia Geral da ONU, despertou atenção para a necessidade urgente de aumentar os investimentos governamentais em setores cruciais como saúde, educação, infraestrutura e mudanças climáticas.
A maior parte dos países desenvolvidos não cumpriu seus compromissos com ajuda ao desenvolvimento, enquanto fatores como pobreza, corrupção e evasão fiscal limitam os recursos domésticos nos países em desenvolvimento.
As necessidades de financiamento para o desenvolvimento são estimadas em trilhões de dólares ao ano e, mesmo que os recursos de todas as fontes públicas sejam maximizados, ainda haverá um déficit significativo, tornando o financiamento do setor privado imperativo.
"Como empresas responsáveis, podemos criar valor de longo prazo ao incorporar sustentabilidade à nossa atividade principal", afirmou Oliver Bäte.
"Investir no desenvolvimento estável de sociedades do mundo não é apenas a coisa certa a fazer, é também uma oportunidade econômica. Estamos convencidos de que investir em mercados emergentes pode alavancar crescimento sustentável, sem perder de vista o interesse dos nossos clientes", completou.
Pesquisas da ONU sugerem que não há escassez de recursos no setor privado, que poderiam ser investidos em desenvolvimento sustentável. No entanto, uma combinação de fatores, incluindo o ambiente político, estruturas de incentivo e condições institucionais, tendem a desencorajar o tipo de comprometimento de longo prazo necessário.
"O estabelecimento desta Aliança reconhece a escala dos desafios que enfrentamos coletivamente e o papel que o setor financeiro precisa desempenhar para enfrentar estes desafios", afirmou Leila Fourie.
"Trocas são parte vital do ecossistema financeiro — promover transparência relevante, possibilitar uma determinação efetiva de preços e, por fim, mobilizar recursos para fins produtivos. Todos temos muito trabalho a fazer e a hora de começar é agora", convocou a executiva.
A Aliança pretende usar seu conhecimento, influência e perspicácia empresarial para descobrir maneiras de estimular investimento de longo prazo no desenvolvimento e aumentar o progresso para alcançar os ODS.
Nos próximos dois anos, o grupo irá entregar soluções para destravar financiamento e investimento de longo prazo em desenvolvimento sustentável nas empresas e em outros níveis mais amplos; mobilizar recursos adicionais para países e setores mais necessitados; encontrar meios de aumentar o impacto positivo das atividades empresariais; e alinhar práticas empresariais com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento sustentável.
O movimento surge em meio ao crescente reconhecimento no mundo corporativo de que o sucesso continuado das empresas está intrinsecamente ligado ao futuro sustentável para o mundo. O secretário-geral da ONU estabeleceu um cronograma factível de resultados para o período de duração da Aliança, que trabalhará em coordenação com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU.
Lista de empresas na Aliança
Allianz SE (Alemanha) – Oliver Bäte
APG (Holanda) – Ronald Wuijster
Aviva (Reino Unido) – Maurice Tulloch
Banco Santander (Espanha) – Ana Botin
Bancolombia (Colômbia) – Juan Carlos Mora Uribe
Bank of America (EUA) – Brian Moynihan
Caisse de dépôt et placement du Québec (Canadá) – Michael Sabia
California Public Employees' Retirement System (CalPERS) (EUA) – Marcie Frost
CIMB (Malásia) – Zafrul Aziz
Citigroup (EUA) – Michael Corbat
Consejo Mexicano de Negocios (México) – Antonio Del Valle Perochena
Eaux Minerales d'Oulmes (Marrocos) – Miriem Bensalah Chaqroun
Emirates Environmental Group (Emirados Árabes) – Habiba Al Mar'ashi
Enel S.p.A (Itália) – Francesco Starace
First State Super (Austrália) – Deanne Stewart
Government Pension Investment Fund (Japão) – Hiro Mizuno
ICBC (China) – Shu Gu
Infosys (Índia) – Salil Parekh
Investec Group (África do Sul) – Fani Titi
Johannesburg Stock Exchange ( África do Sul) – Leila Fourie
Nuveen (EUA) – Vijay Advani
Pal Pensions Nigéria (a confirmar nome do representante)
PIMCO (EUA) – Emmanuel Roman
Safaricom (Quênia) – Michael Joseph
Sintesa Group (Indonésia) – Shinta Widjaja Kamdani
Standard Chartered (Reino Unido) – José Viñals
SulAmerica (Brasil) – Patrick Antonio Claude de Larragoiti Lucas
Swedish Investors for Sustainable Development (Suécia) – Richard Gröttheim
TDC Group A/S (Dinamarca) – Allison Kirkby
UBS Group AG (Suíça) – Sergio P. Ermotti
Para mais informações contate-nos.
A Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica, aprovou, nessa terça-feira, a redução média nas tarifas da CEB, a Companhia Energética de Brasília. A empresa atende cerca de 1,1 milhão de unidades consumidoras no Distrito Federal. Com a decisão, os consumidores terão uma redução média de 6,79%, a partir da semana que vem, dia 22 de outubro. Pa...
Foi lançado no Brasil e em mais 13 países o livro Lutadoras. A obra traz 37 artigos abordando a realidade das mulheres do campo em distintos países e as políticas públicas voltadas a elas. Os textos discutem também suas reivindicações por melhores condições de vida e garantia de mais direitos.
O livro é uma iniciativa do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em parceria com outras organizações. Entre os artigos, 41 autoras discutem os diversos aspectos das lutas das mulheres rurais.
O cenário retratado nos textos é de desigualdade. As mulheres produzem metade dos alimentos do mundo e cerca de 80% da produção na maior parte dos países em desenvolvimento. "Contudo, correspondem a 60% das pessoas com fome no globo, têm menos de 15% das terras no mundo e menos de 2% das propriedades nos países em desenvolvimento", disse na cerimônia de lançamento a especialista em gênero do IICA Cristina Costa.
Empoderamento
Hernán Chiriboga, representante do IICA no Brasil, disse que os projetos liderados por mulheres passaram de 10% para 31% de 2012 para 2019. "Mulheres estão tomando liderança do agro brasileiro. São dados importantes que queremos trazer. Esperamos que o livro seja uma ferramenta para valorizar o papel da mulher no campo", disse.
Segundo o coordenador da Região Sul do IICA, Caio Rocha, o livro ressalta a equidade e de empoderamento para trabalhadoras do campo. "Empoderamento não é um ato político em si. Ele depende de políticas públicas, para acesso a crédito, para a questão dos mercados, para economia criativa, as mais variadas políticas públicas", disse.
A representa do Movimento de Mulheres do Nordeste Parense, Rita Teixeira, elencou entre essas políticas a necessidade de apoiar a inclusão produtiva das mulheres do campo. Ela apontou o benefício do ganho de renda em diversos aspectos, inclusive na redução da violência. "Mulheres independentes financeiramente são menos violentadas. Mulheres são protagonistas pelo trabalho com a agricultura, mas vemos a invisibilidade delas", disse.
Reconhecimento e educação
O IICA ouviu 2.000 mulheres, sendo 500 no Brasil, sobre a avaliação de sua condição e seus anseios. Do total, 90% das mulheres ouvidas manifestaram orgulho de pertencer ao agronegócio agrícola. Mas 80% das entrevistadas colocavam a questão da discriminação como um fator ainda relevante que impactava salários.
As mulheres ouvidas demandaram mais reconhecimento do seu quadro e das jornadas duplas que fazem. Também houve reivindicação por educação e instrução formal, bem como maior representação em organizações produtivas e políticas, como cooperativas.
Inserção e exclusão
O livro aborda essas e outras temáticas em seus capítulos. Em seu texto, a representante da Secretaria Geral da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), Josette Borbón, ressaltou o papel das mulheres no desenvolvimento dos territórios rurais da América Latina e Caribe, assegurando estabilidade e sobrevivência de suas famílias. Quase metade dos alimentos consumidos, diz a acadêmica, seria gerado por trabalhadoras rurais.
A pesquisadora assinala melhorias na condição das mulheres, como diversificação da atividade produtiva e ampliação dos níveis educacionais, superando os homens. Além disso, são beneficiadas com programas de transferência de renda, como o Bolsa Família no Brasil. Contudo, elas ainda estão excluídas em diversos aspectos. Os programas sociais, por exemplo, auxiliam mas chegam apenas a 20% dos lares rurais da região. Outro ponto de ainda baixa cobertura é a previdência para mulheres rurais.
No âmbito da divisão do trabalho, ainda ficam mais restritas geralmente aos minifúndios de subsistência, com pouca participação em empregos de segmentos de maior produtividade, como na agropecuária (20%, contra 53% dos homens). Além disso, pela ocupação com tarefas familiares não remuneradas, elas têm dificuldades de obter renda suficiente.
"A mulher rural depende do apoio decisivo das políticas públicas para poder fazer a transição para a produção intensiva e industrializada; para que possa ter segurança ante as emaças potenciais a seu cultivo; e para poder se inserir, de forma equânime, nos mercado de produção", acrescentou a vice-presidente da República Dominicana e embaixadora da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Margarita Cedeño, em outro texto do livro.
Relatos
Um dos relatos é de Rita Teixeira, do Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense. No texto, ela conta sobre dores que adquiriu no corpo em razão do trabalho pesado e a falta de direitos na condição onde se encontra.
"Luto não só porque nasci e cresci em um ambiente carente. Faço-o porque o conformismo não cabe em mim e porque não posso (nem quero) calar a minha voz interior. Sonho com a reestruturação da sociedade patriarcal, a qual, acredito, é ainda mais violenta e injusta nos territórios onde habito", escreveu.
A diretora da Rede Nacional de Mulheres Rurais do México, Nuria Leonardo, abordou em seu capítulo a situação das trabalhadoras rurais em seu país. Lá 8,5 milhões de mulheres do campo estão em situação de pobreza (60% do total). Destas, 3 milhões estão em condição de pobreza extrema e 5,5 milhões em situação de pobreza moderada.
Segundo levantamento apresentado em seu texto, 47% das mulheres indígenas não possuíam instrução educacional, contra 28% dos homens nessa mesma posição. "A magnitude do atraso nas regiões indígenas é ultrajante, e representa, sem dúvida, a maior dívida do Estado mexicano", diz a ativista.
agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2019-10/livro-destaca-lutas-das-mulheres-rurais-no-mundo