Linfoma não-Hodgkin é uma neoplasia do sistema linfático na qual as células linfáticas (células brancas do sangue), responsáveis por combater infecções e doenças, começam a se modificar, multiplicando-se sem controle e formando tumores. Pode ser indolente (de crescimento lento), agressivo (de crescimento rápido) ou possuir características de ambos os tipos.
Classificação LNH
Classificação:
Linfoma Difuso de Grandes Células B: este é um dos tipos mais comuns de linfoma não-Hodgkin e corresponde a 85% desta classificação, respresentando cerca de um em cada três casos.
O linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) pode afetar qualquer faixa etária, mas ocorre principalmente em pessoas mais velhas (a idade média é de 60 anos). Geralmente começa como uma massa que cresce rapidamente em um linfonodo no tórax, no abdômen, no pescoço ou axila. Pode crescer em outras áreas, tais como os intestinos, ossos, sistema nervoso central ou na coluna vertebral.
Este é um linfoma de crescimento rápido, mas muitas vezes responde bem ao tratamento com quimioterapia. No geral, entre três em cada quatro pessoas não têm sinais de doença após o tratamento inicial, e cerca da metade de todas as pessoas com este linfoma são curados com a terapia.
Linfoma Folicular: cerca de um em cinco linfomas é folicular. O termo folicular é usado porque as células tendem a crescer em um padrão circular. A idade média para as pessoas com este linfoma é de cerca de 60 anos. É raro em pessoas muito jovens e é uma doença dos linfonodos que pode infiltrar a medula óssea.
Linfomas foliculares são muitas vezes de crescimento lento. A taxa de sobrevida em cinco anos é de cerca de 70%. Frequentemente estes linfomas não necessitam de tratamento quando diagnosticados pela primeira vez. Em vez disso, o tratamento é retardado até que os sintomas sejam evidentes e que causem problemas à saúde do paciente. Ao longo do tempo, um a cada três linfomas foliculares se transforma em linfoma difuso de grandes células B (crescimento rápido).
Linfoma Linfocítico de Células Pequenas/ Leucemia Linfocítica Crônica: responde por cerca de 5% a 10% de todos os linfomas.
Estas duas doenças estão intimamente relacionadas. O mesmo tipo de célula (conhecida como linfócito pequeno) é encontrada nas duas entidades. A única diferença é que as células cancerosas na LLC são encontradas no sangue e medula óssea. No linfoma, as células cancerosas estão principalmente nos gânglios linfáticos.
São de crescimento lento e tratados da mesma maneira. Ocasionalmente, ao longo do tempo, esses linfomas podem se transformar em um tipo mais agressivo.
Linfoma do manto: cerca de 5% dos linfomas são desse tipo, e os homens são afetados com mais frequência. A idade média dos pacientes está no início dos 60 anos. A doença é geralmente generalizada quando diagnosticada, envolvendo os gânglios linfáticos, ossos, medula óssea e o baço. Este não é um linfoma de crescimento muito rápido. Tratamentos novos e mais agressivos podem ser mais eficazes do que aqueles utilizados no passado, e podem oferecer uma melhor chance de sobrevida a longo prazo.
Linfomas de Zona Marginal B representam cerca de 5% a 10% dos linfomas. Existem três tipos principais de linfomas de zona marginal:
Linfoma Zona Marginal Extranodal (MALT): esses linfomas se apresentam em outras localizações que não os gânglios linfáticos (daí o nome extranodal) sendo o local de predileção o estômago (relacionados a uma infecção pela bactéria Helicobacter Pylori, que é também a causa de úlceras estomacais).
Outros possíveis locais de linfomas MALT incluem o pulmão, pele, tireóide, glândulas salivares e os tecidos em torno do olho. Geralmente é confinado à área em que começa e não é generalizado. Muitos também têm sido associados à infecções por bactérias ou vírus. A idade média dos pacientes com linfoma MALT é de cerca de 60 anos. É de crescimento lento e frequentemente curável na sua fase inicial.
Linfoma Zona Marginal Nodal: esta é uma doença rara, encontrada principalmente em mulheres idosas. Acomete os gânglios linfáticos, mas a medula óssea possa estar envolvida. Este tende a ser um linfoma de crescimento lento (embora geralmente não tão lento como MALT), e muitos são curados se forem diagnosticados em fase inicial.
Linfoma Zona Marginal Esplênico: este é um linfoma raro. Na maioria das vezes o
linfoma é encontrado somente no baço e medula óssea. Os pacientes são frequentemente idosos e do sexo masculino. É uma doença de crescimento lento e o tratamento pode não ser necessário a menos que o paciente apresente sintomas.
Linfoma de Burkitt: este tipo representa cerca de 1% a 2% de todos os linfomas. Este é um linfoma de crescimento muito rápido. Na variedade africana, muitas vezes começa na região da mandíbula ou outros ossos da face e está relacionado à infecção do vírus Epstein-Barr (mononucleose infecciosa). Nos tipos mais comuns vistos nos Estados Unidos e também no Brasil, o linfoma geralmente começa no abdômen, local em que forma uma grande massa tumoral. Ele também pode começar nos ovários, testículos ou outros órgãos, e pode se espalhar para o sistema nervoso central e líquido céfalo raquiano. Geralmente não é ligado à infecção pelo vírus Epstein-Barr.
Perto de 90% dos pacientes são do sexo masculino e a idade média é de cerca de 30 anos. Embora este seja um linfoma de crescimento rápido, mais da metade dos pacientes pode ser curado com quimioterapia intensiva.
Macroglobulinemia de Waldenstrom: corresponde de 1% a 2% dos linfomas. As células são encontradas principalmente na medula óssea, linfonodos e baço. Na maioria das vezes as células do linfoma produzem um anticorpo chamado imunoglobulina M (IgM), que é uma proteína muito grande. Este anticorpo circula no sangue em grandes quantidades e faz com que o fluxo sanguíneo seja reduzido para vários órgãos, o que pode causar problemas de visão, problemas neurológicos (como dor de cabeça, tonturas e confusão) e outros sintomas que podem incluir cansaço, fraqueza e sangramentos. Esse linfoma é de crescimento lento.
Linfoma Primário de Sistema Nervoso Central (SNC): esse linfoma geralmente envolve o cérebro (chamado de linfoma cerebral primário), mas pode também ser encontrado na medula espinhal. É mais comum em pessoas com problemas no sistema imunológico, como os infectadas com o HIV, o vírus que causa a AIDS. A maioria das pessoas desenvolvem dores de cabeça e confusão mental, tem alteração de visão, paralisia de alguns nervos faciais e até convulsões.
Linfomas de Células T
Os linfomas de células T correspondem a menos de 15% dos linfomas não-Hodgkin e também estão divididos em:
Linfoma Linfoblático T: é responsável por cerca de 1% de todos os linfomas. Ele pode ser considerado um linfoma ou leucemia, dependendo da quantidade de células que invadem a medula óssea (leucemias têm envolvimento de 25% da medula óssea).
Muitas vezes começa no timo e pode evoluir para um grande tumor no mediastino. Isso pode causar dificuldade para respirar pela compressão da traquéia e bloquear a veia cava superior, causando inchaço nos braços e face.
Mais frequentemente, os pacientes são adultos jovens, sendo os homens mais afetados do que as mulheres. Esse linfoma é de crescimento rápido, mas, se não há envolvimento da medula óssea, as chances de cura são muito boas com quimioterapia. Com envolvimento da medula, cerca de 40% a 50% dos pacientes podem ser curados. Muitas vezes, esta doença é tratada da mesma forma que a LLA (leucemia linfóide aguda).
Linfoma de Célula T Periférico: este tipo de linfoma desenvolve-se a partir de formas mais maduras de células T. Eles são raros e responsáveis por cerca de 5% de todos os linfomas.
Linfoma T Cutâneo (Micose Fungóide/Sindrome Sezary): este linfoma começa na pele. Os pacientes geralmente têm febre, perda de peso, erupções na pele e frequentemente desenvolvem infecções. Esse linfoma progride rapidamente.
Linfoma T nasal: este tipo muitas vezes envolve as vias aéreas superiores, como nariz e garganta, mas também pode invadir a pele e trato digestivo. Todas as idades podem ser afetadas.
Linfoma Anaplásico Grandes Células: cerca de 1% a 2% dos linfomas são deste tipo, mais comum em jovens (incluindo crianças), mas pode ocorrer em pessoas de 50 e 60 anos. Geralmente começa nos linfonodos e também pode se espalhar para a pele. Este tipo de linfoma tende a ter crescimento rápido, mas muitas pessoas são curadas com quimioterapia agressiva.
Linfoma T Periférico: este nome é dado para linfomas de células T que não se encaixam em nenhum dos grupos acima. Eles perfazem cerca da metade de todos os linfomas T, sendo a maioria diagnosticado em pacientes com 60 anos. Como um grupo, estes linfomas tendem a crescer rapidamente.
Sintomas:
O linfoma não-Hodgkin pode causar muitos sinais e sintomas diferentes, dependendo de sua localização no corpo. Os sintomas mais comuns incluem:
• Aumento dos gânglios linfáticos: ocorrem com maior frequência nos linfonodos do pescoço, da virilha, axilas, áreas acima da clavícula e podem ser vistos ou sentidos como nódulos sob a pele;
• Aumento do volume do adômen: pode ser por causa do aumento dos gânglios linfáticos presentes no abdômen, mas também pode ser devido a grandes coleções de fluido;
• Sensação de plenitude depois de pouco se alimentar: o linfoma pode levar a esplenomagalia, o baço pressiona o estômago e leva o paciente a se sentir satisfeito depois de comer apenas uma pequena quantidade de comida;
• Dor no peito, falta de ar, tosse ou sensação de pressão: quando o linfoma tem início no timo ou gânglios linfáticos no tórax (região do mediastino) pode pressionar a traquéia causando tosse ou falta de ar.
A veia cava superior (VCS) é a grande veia que leva o sangue da cabeça e dos braços de volta ao coração.
Ele passa perto do timo e dos gânglios linfáticos no interior do tórax. Linfomas nesta área podem empurrar a veia cava, fazendo com que o sangue fique represado nas veias. Isto é conhecido como síndrome da veia cava superior. Ela pode causar inchaço nos braços e parte superior do tórax, bem como dificuldade para respirar, que requer tratamento imediato.
• Febre persitente, sem sinais de infecção
• Perda de peso sem motivo
• Suor noturno (que geralmente obriga o doente a trocar a roupa de cama)
• Fadiga
Quais os fatores de risco do LNH?
Fator de risco é algo que afeta sua chance de adquirir uma doença como o câncer. Entretanto, ter um fator de risco ou mesmo vários fatores não significa que você vai definitivamente ter a doença. Muitas pessoas que desenvolvem o câncer podem não ter tido qualquer fator de risco conhecido.
Diversos fatores podem afetar a possibilidade de uma pessoa apresentar LNH. Existem muitos tipos de linfoma e alguns desses fatores têm sido associados apenas à:
Idade: envelhecer é um forte fator de risco para esta doença, com a maioria dos casos ocorrendo em pacientes com mais de 60 anos
Sexo: o risco de LNH é maior em homens do que em mulheres. As razões para isso não são conhecidas
Exposição a certos produtos químicos: alguns estudos sugerem que as substâncias químicas como benzeno, e determinados herbicidas e inseticidas podem estar relacionadas com um risco aumentado de LNH. Pesquisas para esclarecer essas possíveis ligações ainda estão em andamento
Quimioterápicos: utilizados para tratar o câncer, aumentam o risco de desenvolver leucemia ou linfoma não-Hodgkin muitos anos depois. Por exemplo, pacientes que foram tratados para o linfoma de Hodgkin têm um risco aumentado de desenvolver mais tarde LNH
Exposição à radiação: estudos de sobreviventes das bombas atômicas e acidentes de reatores nucleares têm mostrado maior risco de desenvolver vários tipos de câncer, incluindo leucemia, câncer de tireóide e linfoma não-Hodgkin. Pacientes tratados com radioterapia para alguns outros tipos de câncer, como o linfoma de Hodgkin, têm um risco ligeiramente maior de desenvolver linfoma não-Hodgkin mais tarde
Deficiência do sistema imunológico: pessoas com sistema imunológico debilitado têm um risco aumentado para LNH. Por exemplo, pessoas que recebem transplantes de órgãos (rim, coração, fígado) são tratados com drogas que suprimem seu sistema imunológico para evitar a rejeição do novo órgão. Essas pessoas têm um maior risco de desenvolver linfoma não-Hodgkin. O vírus da imunodeficiência humana (HIV) também pode enfraquecer o sistema imunológico e pessoas infectadas com HIV correm maior risco de obter o linfoma não-Hodgkin
Doenças auto-imunes: algumas doenças autoimunes, como a artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença celíaca entre outras têm sido associadas ao aumento do risco de desenvolver a doença
Infecções: vários tipos de infecções podem aumentar o risco de linfoma não-Hodgkin de diferentes maneiras, como as infecções que transformam diretamente os linfócitos em alguns vírus e aquelas que debilitam o sistema imunológico, como o HIV
Peso corporal e dieta: vários estudos têm sugerido que o excesso de peso ou obesidade podem aumentar o risco de linfoma não-Hodgkin. Alguns estudos também sugerem que uma dieta rica em vegetais pode reduzir o risco. Manter uma dieta saudável e o peso em equilíbrio trará muitos benefícios para a saúde, além de exercer um possível efeito sobre o risco de linfoma
Como o LNH pode ser diagnosticado?
Os linfonodos aumentados, na maioria das vezes, significam reação a infecções, não sendo, portanto, sinônimos de câncer. O médico pode suspeitar de linfoma se encontrar linfonodos aumentados durante o exame físico ou de imagem (por exemplo, raio-X do peito), sem que haja uma explicação para o aumento, como uma infecção na região.
O diagnóstico pode ser estabelecido com precisão pela biópsia de um linfonodo ou de outro órgão envolvido, como osso, pulmão, fígado ou outros tecidos.
Tipos de biópsias usadas para diagnosticar linfoma não-Hodgkin
A biópsia é a única forma de diagnosticar o linfoma não-Hodgkin e existem vários tipos:
Biópsia excisional ou incisional: este é o tipo mais comum. Neste procedimento, um cirurgião remove todo o nódulo (biópsia excisional) ou uma pequena parte de um grande tumor (biópsia incisional)
Aspirativa por agulha fina (PAAF) ou biópsia por agulha grossa: a maioria dos médicos não usam biópsias de agulha para diagnosticar o linfoma, mas essa técnica pode ser indicada para pacientes já diagnosticados a fim de confirmar se o linfoma se espalhou para outros órgãos
Aspiração da medula óssea (mielograma) e biópsia: determina se o linfoma atingiu a medula óssea
Punção lombar: este exame procura células de linfoma no fluido cerebrospinal. A maioria dos pacientes com linfoma não precisam deste exame, mas os médicos podem indicá-lo para determinados tipos de linfoma ou se o paciente apresentar sintomas que sugerem que a doença pode ter atingido o sistema nervoso central (dor de cabeça, náuseas, vômitos)
Punção de líquido pleural ou peritoneal: o linfoma no tórax ou no abdômen pode causar extravasamento de líquido para a pleura (lâmina que reveste o tórax) ou o peritôneo (dentro do abdômen) e pode ser removido, colocando uma agulha por meio da pele no tórax ou abdômen. O líquido é então retirado e avaliado para procurar células do linfoma.
Todas as amostras de biópsia e fluídos são olhados ao microscópio pelo patologista que estuda a aparência, tamanho e forma das células e como elas são organizadas. Isto pode revelar não só se a pessoa tem um linfoma, mas também qual o tipo.
Imuno-histoquímica: uma parte da amostra da biópsia é tratada com anticorpos especiais, que se ligam apenas a moléculas específicas na superfície da célula. Este exame pode distinguir diferentes tipos de linfoma, assim como outras doenças
Citogenética: esta técnica permite aos médicos avaliar os cromossomos nas células do linfoma e a identificar qual o tipo
Outros exames de laboratório
Exames de sangue
Podem ser usados para medir a quantidade de certos tipos de células e substâncias químicas no sangue. Eles não são usados para diagnosticar o linfoma, mas podem ajudar a determinar como a doença está avançada. Nos pacientes, baixas contagens sanguíneas podem significar que o linfoma está crescendo na medula óssea e afetando a formação de novas células do sangue.
Outros exames de sangue podem ajudar a detectar problemas de fígado ou rins causados pela disseminação do linfoma ou por efeitos colaterais de alguns medicamentos quimioterápicos.
Exames de imagem
Raios-X de tórax: pode ser feito para olhar para linfonodos aumentados nesta área
Tomografia computadorizada (TC): pode ajudar a dizer se há anormalidades nos nódulos linfáticos ou órgãos do corpo como abdômen, pélvis, tórax, cabeça e pescoço
Ressonância Magnética Nuclear (RMN): fornece imagens detalhadas dos tecidos moles do corpo. O exame é muito útil para o cérebro e a medula espinhal
Ultra-som: pode ser usado para olhar para os gânglios linfáticos na superfície do corpo ou olhar dentro do abdômen para avaliar o aumento dos gânglios linfáticos ou órgãos como o fígado e o baço
PETScan: injeta-se glicose contendo um átomo radioativo no sangue. Como as células cancerosas do corpo crescem rapidamente, elas absorvem grandes quantidades deste açúcar radioativo. Sendo assim, o PETScan pode ajudar a dizer se um gânglio linfático aumentado pode ser benigno
Este exame pode ser usado para dizer se um linfoma está respondendo ao tratamento e pode ser repetido após uma ou dois sessões de quimioterapia. Pode também ser utilizado após o tratamento para ajudar a decidir se um gânglio linfático aumentado ainda contém linfoma ou é apenas tecido cicatricial.
Como o LNH pode ser diagnosticado?
O diagnóstico, baseado na biópsia, e a determinação da extensão da doença, denominado estadiamento, fornecem informações muito importantes para o planejamento do tratamento.
O tipo específico de linfoma, de células T ou B, e a localização dos linfonodos ou órgãos envolvidos são fatores determinantes para a seleção dos medicamentos e para a duração do tratamento. O planejamento do tratamento é feito pela equipe médica que assiste o paciente e é denominado protocolo terapêutico.
Os exames utilizados para reunir as informações para o estadiamento incluem:
• Biópsia
• Exames de sangue
• Exames de imagem
• Aspiração e biópsia da medula óssea
• Punção lombar
Tratamento Linfoma não-Hodgkin
Informações gerais
Nos últimos anos, tem havido muito progresso no tratamento de linfoma não-Hodgkin. As opções de tratamento para pessoas com linfoma dependem do tipo e seu estádio, bem como outros fatores de prognóstico.
O objetivo do tratamento é eliminar o maior número possível de células malignas e induzir à remissão completa. Em alguns casos, nos quais esse objetivo é atingido, a cura pode ser alcançada.
O tratamento também pode manter o linfoma controlado por muitos anos, mesmo que técnicas de imagens ou outros estudos acusem locais remanescentes da doença. A radioterapia, a quimioterapia ou a imunoterapia podem ser administradas aos pacientes no ambulatório em um centro oncológico.
A quimioterapia e a radioterapia são as duas principais formas de tratamento. Diferentemente do linfoma de Hodgkin, a radioterapia é utilizada menos frequentemente como única ou principal terapia para os linfomas não-Hodgkin. Entretanto, pode ser uma forma de tratamento auxiliar muito importante para alguns pacientes.
Quimioterapia
A quimioterapia geralmente requer a combinação de várias medicações para destruir as células malignas. A combinação de medicamentos com diferentes mecanismos de ação auxilia na prevenção da resistência às medicações. O tratamento pela combinação de medicamentos é feito em "ciclos" com duração variável, dependendo do protocolo.
Dependendo do tipo e do estádio do linfoma, ela pode ser usada sozinha ou em combinação com radioterapia.
Cada "ciclo" de quimioterapia geralmente dura várias semanas. Muitas drogas são úteis no tratamento de pacientes com linfoma. O número de medicamentos, as doses e a duração dependem do tipo e estádio do linfoma. Algumas das drogas usadas para tratar linfoma incluem:
• Ciclofosfamida
• Vincristina
• Doxorrubicina
• Prednisona
• Fludarabina
• Citarabina
• Chlorambucil
• Mitoxantrone
• Metotrexato
• Etoposide
• Dexametasona
• Cisplatina
• Carboplatina
• Ifosfamida
• Bleomicina
• Bendamustina
Imunoterapia
Há várias abordagens sendo utilizadas para tirar proveito de mecanismos imunológicos no tratamento do linfoma. Exemplos dessas terapias são os anticorpos monoclonais, a radioimunoterapia, as imunotoxinas e a terapia com vacinas. Os anticorpos são proteínas que podem ser sintetizadas em laboratório e reagem aos antígenos na célula. Estes anticorpos podem ser utilizados de três maneiras na terapia: como anticorpos monoclonais, anticorpos aderidos aos isótopos radioativos (radioimunoterapia) e como anticorpos aderidos às toxinas (imunotoxinas).
Cirurgia
A cirurgia é frequentemente usada para obter uma amostra de biópsia com o objetivo de diagnosticar e classificar um linfoma, mas raramente é utilizada como uma opção de tratamento. Em casos raros pode ser usada para tratar linfomas que se iniciam em certos órgãos fora do sistema linfático, como a tiróide ou estômago. Mas para o tratamento de linfoma que está totalmente confinado a uma área, a radioterapia é geralmente é a melhor opção.
Radioterapia
A radioterapia pode ser usada como o tratamento principal para alguns tipos de linfoma se eles estão nos primeiros estádios da doença, porque esses tumores respondem muito bem à radiação.
Para linfomas mais avançados e para alguns linfomas que são mais agressivos, a radioterapia pode ser indicada junto com a quimioterapia. A radioterapia também pode ser usada para aliviar os sintomas quando ocorre a invasão para órgãos internos, tais como o cérebro ou a medula espinhal, ou quando há compressão de raiz nervosa.
Transplante de Células Tronco Hematopoéticas (TCTH)
Embora não muito frequente, o transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) pode ser indicado para alguns casos de linfoma não-Hodgkin, sendo considerado para pacientes que apresentam recidiva ou quando o protocolo exige regimes mais intensivos de quimioterapia.
O TCTH é mais detalhado no manual Transplante de Células-Tronco Hematopoéticas.
Efeitos colaterais do tratamento
O termo efeitos colaterais é usado para descrever como o tratamento afeta o dia-a-dia do paciente. Esses efeitos adversos não ocorrem para todos e variam de acordo com o tipo da quimioterapia e radioterapia (local da irradiação).
O paciente deve conhecer as medicações que está recebendo, sua sequência e principalmente os efeitos colaterais que possam ocorrer ao longo do tratamento. (fazer link com o manual "Terapia Medicamentosa")
Efeitos Colaterais da Quimioterapia
Lesão na boca (Ver o que há nas recomendações da ODONTO): podem surgir feridas inflamatórias na boca (as famosas aftas bucais) e o paciente pode apresentar uma sensação de queimação ou dor na boca e na garganta. Esta é uma condição denominada estomatite. Com algumas medicações quimioterápicas, a quantidade de saliva na boca diminui no início do tratamento, aumentando posteriormente.
Disfagia: a língua pode ficar vermelha e inchada. Pode haver também sensação de ardor na garganta, com dificuldade para engolir.
Náusea e vômito: o surgimento de náuseas e vômitos depende da dosagem e da medicação utilizada, variando de paciente para paciente. Para aqueles que apresentam esses efeitos colaterais, existe uma série de medicações antináusea, também conhecidas como substâncias antieméticas, que podem ser prescritas pelo médico para preveni-los ou minimizá-los.
Alopécia: algumas medicações quimioterápicas podem causar queda de cabelo, porque bloqueiam o crescimento celular no folículo piloso, responsável pela substituição dos fios.
Efeitos na formação das células sanguíneas: como as células na medula óssea se dividem e se multiplicam rapidamente, ela sofre o efeito de muitas medicações quimioterápicas e a hematopoese fica diminuída por certo período após o tratamento. Por essa razão, indivíduos em quimioterapia podem apresentar baixas contagens de células sanguíneas com maior possibilidade de infecção, devido a diminuição na produção de glóbulos brancos, hematomas ou hemorragias, por causa da baixa produção de plaquetas e anemia, com devido a redução na produção de glóbulos vermelhos.
Efeitos Colaterais da Radioterapia
Aumento da pigmentação da pele (aparência de queimadura do Sol)
Queda de cabelo
Diminuição dos glóbulos brancos
A maioria dos efeitos secundários desaparece após o término do tratamento e podem ser tratados ou prevenidos ao longo do tratamento. Abaixo o link de nosso manual de terapia medicamentosa, no qual listamos os efeitos colaterais e dicas para prevenir ou tratar.
O que perguntar a seu médico sobre o LNH?
Converse com seu médico sobre o linfoma e como ele planeja tratar a sua doença. Isto ajudará saber mais sobre o assunto, o que envolve o tratamento e a tomar decisões. Evite acreditar em tudo que circula na rede e sempre foque suas pesquisas em sites com informações confiáveis.
Seguem algumas sugestões de perguntas para fazer ao seu médico:
• Que tipo de linfoma não-Hodgkin eu tenho?
• Existem outros testes que precisam ser feitos antes que possamos decidir sobre o tratamento?
• O que é o estádio do linfoma, e o que isso significa no meu caso?
• O que minha pontuação do meu Índice Internacional de Prognóstico (IPI) afeta as minhas opções de tratamento?
• Quais são as opções de tratamento? Precisamos tratar o linfoma de imediato?
• Quais os riscos ou efeitos colaterais para os tratamentos que você sugere?
• Quanto tempo vai durar o tratamento? O que vai envolver? Onde isso vai ser feito?
• Como o tratamento irá afetar as minhas atividades diárias?
• Quais são as minhas chances de sobrevida?
• Quais são as chances de recidiva com esses planos de tratamento?
• O que faremos se o tratamento não funcionar ou se o linfoma recidivar?
Pode ser útil escrever as respostas para suas perguntas e revisá-las mais tarde. Você pode querer levar um membro da família ou um amigo à consulta médica. A pessoa poderá ouvir, fazer anotações e oferecer apoio.
Linfoma não-Hodgkin na infância
Dra. Maria Lydia Mello de Andréa – Chefe do Serv. Oncologia Pediátrica do Hosp. Infantil Darcy Vargas