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Imagem: Divulgação

Em dias turbulentos, como os que temos enfrentado ultimamente, é comum que alguns exijam a volta do militarismo ou bradem por políticas criminais mais repressoras. Talvez, influenciados pela mídia, que muitas vezes dramatiza as informações relacionadas com a violência: apresenta a criminalidade por meio de estereótipos, condena com sua publicidade pessoas que ainda são presumidas inocentes, difunde o discurso de endurecimento das penas, amplia o alarme social gerado pela violência, espalha o medo, não raramente tenta influenciar no resultado dos julgamentos jurídicos.

Em 2014 nasci mãe quando dei a luz à pequena Júlia, e exatamente naquele momento entendi e finalmente aceitei o que tanto me afligia. Na verdade, nada de errado havia comigo, muitíssimo pelo contrário. Naquele momento, desejei que todas as crianças do mundo pudessem receber o amor, o afago, o cuidado e a proteção que tanto dedicava a minha filha. Entendi que de nada adianta a minha filha ter as melhores coisas, freqüentar os melhores colégios se o filho do vizinho também não tiver essa oportunidade. Ao pensarmos de forma individualizada ("o melhore é meu", "o melhor sou eu", "se eu consegui porque ele não consegue", "o sol nasce para todos", "meritocracia.. Meritocracia"), sairemos às ruas para compramos grades, cercas elétricas e alarmes automotivos. O inimigo não mora ao lado, o inimigo mora dentro de nós. No momento em que olharmos para o outro como igual (mendigo, rico, preto, gordo, encarcerados, religiosos, gays) e entendermos que importa sim o caminho que ele trilhou e não apenas só o lugar onde ele chegou, teremos algo próximo à justiça social.

E para quem ainda acredito que o endurecimento das penas é a solução, saiba que o sistema repressivo só existe porque o sistema educacional não é valorizado. E, quanto maior o valor se dá a medidas de repressão, que evidentemente dão a ilusão de solução rápida para um problema crônico como a deficiente segurança pública, menores são os recursos utilizados em educação.

Pitágoras, filósofo e matemático grego que viveu de 580 a. C. Até 497 a. C. Teria dito "eduque às crianças e não será necessário castigar aos homens". Não é a toa que a Grécia foi considerada o Berço da Cultura Ocidental!

Tem gente que acredita mais no cassetete, na bala e na violência do que nas ideias, na argumentação e na educação, e isto não é aceitável. Não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que nenhuma repressão é possível, pois limites tem de ser estabelecidos, mas crer que a força física é maior que a palavra é aceitar, sem lutar, a falência da civilização e assumir de vez a volta às trevas e a ignorância.

A repressão é o caminho mais curto para o fracasso, a educação é a solução, sempre, por mais demorados que sejam seus resultados.

Este ano decidimos (eu e meu marido) colocar à Júlia em uma creche pública, para que assim ele cresça sabendo quem é de verdade. Já estouramos a nossa bolha social, estoure a sua também.

Keila Amaro
Advogada, Especialista em Direito Urbanístico e Ambiental
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