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Para que nunca mais aconteça! A USP deve ser para todos os brasileiros e as brasileiras!

 
21 de Agosto de 2007.
 Pátio das Arcadas.
Os movimentos sociais convocados então faziam a Jornada de Lutas pela Educação, com o intuito de obter recursos para área em que as desigualdades no acesso às oportunidades ficam tão explícitas no nosso país. Posto isso, ocuparam o prédio da Faculdade de Direito da USP, pactuado que ficariam uma madrugada em Ato simbólico, com uma agenda de debates que contou também com atividades culturais. Pacífico, era um marco da presença do povo brasileiro na São Francisco, Faculdade historicamente marca por uma composição de classe e cor muito bem demarcadas pela elite.
 
Pois na madrugada de 21 de agosto, o então Diretor da Faculdade João Grandino Rodas, em contato com o então Governador José Serra, chamou o batalhão da tropa de choque da polícia militar para retirar a força os movimentos sociais, expulsando-os mais uma vez (pois historicamente neste país pré-cotas, faculdade era coisa de rico) da Universidade que é deles por direito, mas nunca foi de fato. A Polícia não entrava no Território Livre desde a Ditadura Civil-Militar, na desocupação em 68. Era um sinal explícito de uma guinada ao reacionarismo do governo do PSDB, criminalizando a luta política e tolhendo o direito de manifestação tão legítima em um espaço que é público.
 
Setores conservadores da Faculdade reuniram-se num surto de autoritarismo, e espalharam mentiras e boataria, que até hoje reverberam, em verdadeira página de vergonha da história de 186 anos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco.
 
Rodas foi o mesmo Diretor que no decorrer de sua Gestão no Direito tentou colocar catracas na porta e câmeras no prédio da Faculdade (e pela mobilização dos trabalhadores, alguns professores e os estudantes da unidade, foi barrado) em 2008; que nomeou (ou melhor, vendeu) duas salas da Faculdade para um escritório de advocacia (Pinheiro Neto) e um banqueiro (Pedro Conde) em 2009, mediante "doações" para reformas; que transferiu o acervo da biblioteca para um prédio anexo sem estrutura para abrigar os livros, em 2010. Sua Gestão na Reitoria da USP continuou marcada pela ausência de diálogo e pela continuação do projeto tucano de privatização do ensino público, pela via de transferência de patrimônio e pela precarização da qualidade do ensino. O convênio com a PM, assinado em 2011, sem diálogo com a comunidade e em detrimento do debate de melhora na iluminação do campus ou de uma política de segurança cidadã, atende ao propósito do projeto do governador de criminalização da luta política e dos movimentos sociais. A falta de diálogo sobre a adesão a uma política afirmativa de cotas no vestibular da USP também é marca de sua gestão e seus valores elitistas no que se refere à educação.
 
A Administração Rodas era apoiada por muito setores políticos da Faculdade, inclusive apoio público da gestão do XI, do mesmo partido da atual, a sua nomeação a Reitoria da USP em 2010. Até o persona non grata de 2011 foi um longo caminho da luta política, percorrido por muitos dos bravos combatentes que farão essa Mesa terça-feira.
 
Os debates daquela época são muito atuais. O Judiciário continua a criminalizar a luta política. A polícia cada vez mais comprova, por seu autoritarismo e sua formação sob a lógica de tratar manifestante como inimigo, a fundamental necessidade de sua desmilitarização completa. A USP e as estaduais paulistas permanecem sem cotas no que se refere ao acesso ao Ensino Superior: se 35% dos paulistas são negros, 13% dos ingressantes no vestibular 2013 da USP o são. Não há nenhum ingressante negro no curso de Medicina. Menos de um terço dos estudantes da USP são egressos da escola pública, sendo que 80% dos formandos no Ensino Médio são egressos do Ensino público. Se no cenário das universidades federais, a Lei de Cotas promoverá a entrada dos filhos da classe operária na universidade, o estado de SP se mantém mediante suas universidades como a vanguarda do atraso no que se refere a democratizar as oportunidades no acesso ao ensino de qualidade para seu povo.
 
No entendimento de que os movimentos sociais e o povo brasileiro têm que sempre entrar no espaço público que corresponde à universidade, que deve ser para todos – democrática no acesso, de qualidade no mérito acadêmico e popular no ensino -, o Coletivo Contraponto convoca a tod@s estudantes, trabalhadores e professores para deixar viva a memória da São Francisco, em 20 de agosto de 2013, às 19h00, no Pátio das Arcadas.
 
Para que nunca mais aconteça! A USP deve ser para todos os brasileiros e as brasileiras!
 
 
 
 
 

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